Domingo, Maio 6

Sonho, por vezes, com um amor longínquo e vaporoso como a esquizofrenia de um perfume...

Sempre pensei que Diógenes sofrera, na sua juventude, alguma decepção amorosa: ninguém se aventura na via do escárnio sem a ajuda de uma doença venérea ou de uma sopeira intratável

A carne é incompatível com a caridade: o orgasmo transformaria um santo num lobo.

Depois das metáforas, a farmácia. – É assim que se desmoronam os grandes sentimentos.

Começar poeta e acabar ginecologista! De todas as condições, a menos invejável é a do amante.

A Arte de amar? É saber juntar a um temperamento de vampiro a discrição de uma anémona.

Aquele que se mata por uma galdéria passa por uma experiência mais completa e mais profunda do que o herói que sobressalta o mundo.

Sentir o cérebro: fenómeno tão nefasto ao pensamento como à virilidade.

Um monge e um carniceiro brigam dentro de cada desejo.

Continuamos a amar... apesar de tudo; e este "apesar de tudo" cobre um infinito.

Emil Cioran, Silogismos da Amargura (Vitalidade do Amor)

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

gostei...mas deixa muito que pensar...esse sentir o cérebro é...pelo menos sinal que o tem!...

5:52 PM  
Anonymous Anónimo said...

ou não fosse a mente, o cérebro em funcionameto, num corpo e num contexto...relacional...apesar de tudo...

5:57 PM  

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