Feroz (sobre Carl Th. Dreyer), por Jean-Marie Straub
O que admiro particularmente nos filmes de Dreyer que pude ver ou rever nestes últimos anos é sua ferocidade em relação ao mundo burguês: à sua justiça (O presidente [1918–9], também uma das mais surpreendentes construções narrativas que eu conheço e um dos filmes mais griffithianos, logo um dos mais bonitos), à sua vaidade (sentimentos e cenários: Mikael, 1924), à sua intolerância (Dias de ira, [1943], impressionante por sua violência e por sua dialética), à sua hipocrisia angelical (“Ela morreu… Ela não está mais aqui. Ela está no céu…”, diz o pai em A palavra [1954–5], e o filho responde: “Sim, mas também amei seu corpo…”) e a seu puritanismo (Gertrud [1964], por isso tão bem acolhido pelos parisienses dos Champs Elysées). (...)
Publicado originalmente em francês, na p. 35 de um longo dossiê dos Cahiers du cinéma (n.207, dezembro de 1968) consagrado a Carl Theodor Dreyer. Traduzido em italiano e anotado por Adriano Aprà em J.-M. Straub e D. Huillet, Testi Cinematografi ci, op. cit., p. 254–256. Traduzido do francês por Mateus Araújo Silva e publicado no Catálogo "Straub-Huillet", CCBB, 2012.
Publicado originalmente em francês, na p. 35 de um longo dossiê dos Cahiers du cinéma (n.207, dezembro de 1968) consagrado a Carl Theodor Dreyer. Traduzido em italiano e anotado por Adriano Aprà em J.-M. Straub e D. Huillet, Testi Cinematografi ci, op. cit., p. 254–256. Traduzido do francês por Mateus Araújo Silva e publicado no Catálogo "Straub-Huillet", CCBB, 2012.


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