História de um pêlo
Outrora fora um dos pêlos mais alegres e engenhosos dentro do nariz e, digamos, à face da terra. Tão à vontade na guitarra como no dito espirituoso, no trapézio como nas paralelas. Jovem, loiro, bonito e robusto. Quem me dera que o tivessem visto. Fazia inveja olhá-lo. Era o que se pode chamar um pêlo bem posto. Oh meu Deus! Como a vida era encantadora! Em menos de nada, tudo acabou. Agora, não passa de um cinzento, apagado e triste pêlo inciso, literalmente sufocado pela amargura e pelo pesar.
Seria necessário outro Homero para descrever minuciosamente todos os matizes desta dilacerante história. Tudo são precipícios em seu redor. Tem vontade de arrancar os cabelos (e, com efeito, chega a arrancar dois ou três). Um espectáculo brutal e impressionante. Como pudera aquilo suceder? Eis um fio de raciocínio que o conduz à mais horrível das conclusões: neste mundo, um pêlo é menos que nada.
De facto, neste mundo, lamento dizê-lo, um pêlo do nariz não vale um figo podre.




































