Em Turim, no início da sua crise, Nietzsche precipitava-se sem descanso para o espelho, olhava-se, afastava-se, olhava-se de novo. No comboio que o levava a Basileia, a única coisa que reclamava com insistência era um espelho. Já não sabia quem era, procurava-se, e logo ele, tão apegado a salvaguardar a sua identidade, tão ávido de si mesmo, não tinha agora, para se encontrar, senão o mais grosseiro, o mais lamentável dos recursos. Emil Cioran, De l’inconvénient d’être né


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