Sempre que preciso de compreender a alegria de Walser penso numa das primeiras frases de Lenz, quando ele atravessa a montanha :"Não sentia nenhum cansaço, era-lhe apenas por vezes desagradável não poder andar de cabeça para baixo". No meu exercício deixo Walser vencer a lei da gravidade como um acrobata dum circo extravagante. A ideia tinha o movimento mas faltava-lhe qualquer coisa... Descobri agora, ao ler o texto sobre Watteau; o que faltava à imagem era, evidentemente:
um estado de contentamento consigo próprio.
um estado de contentamento consigo próprio.


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«Quem anda de cabeça para baixo, minhas senhoras e meus senhores, quem anda de cabeça para baixo tem o céu por abismo debaixo de si» (Paul Celan)
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