Viajando de trem, o que mais se vê é o verso das cidades. A visão é lateral, ao passo que para o homem a visão mais natural é a frontal, como no automóvel. Mas no carro o assento é muito baixo, tão baixo que a gente fica com medo de ralar o traseiro no calçamento. E o que se vê é uma paisagem que é a continuação daquela que se vê na televisão, que se vê quando se está sentado.
Viajando de ônibus, pelo menos quando se consegue sentar na primeira fileira, pode-se desfrutar a visão ideal,a mais rara e a mais nobre, a visão do homem a cavalo. Agora, infelizmente, começaram a escurecer os vidros como proteção contra o sol, e o que se vê é uma triste paisagem crepuscular, mesmo quando o sol brilha forte. Ou então tingem de azul o para-brisa, mais escuro em cima, mais claro embaixo; e assim a paisagem se transforma numa estampa japonesa.
Saul Steinberg, Reflexos e Sombras.
Viajando de ônibus, pelo menos quando se consegue sentar na primeira fileira, pode-se desfrutar a visão ideal,a mais rara e a mais nobre, a visão do homem a cavalo. Agora, infelizmente, começaram a escurecer os vidros como proteção contra o sol, e o que se vê é uma triste paisagem crepuscular, mesmo quando o sol brilha forte. Ou então tingem de azul o para-brisa, mais escuro em cima, mais claro embaixo; e assim a paisagem se transforma numa estampa japonesa.
Saul Steinberg, Reflexos e Sombras.


1 Comments:
comparação genial.
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