Quinta-feira, Março 17

All right, Mr. DeMille, I'm ready for my close-up

Há uns tempos andavam por aí uns cartazes com um grande, muito grande, plano de José Mourinho e umas frases banais de intenções vagamente moralistas. Tratava-se de um anúncio de prestígio do Millenium. Prestígio provém do latim ‘praestigium’, que se referia à ilusão causada aos espectadores pelos truques de um mágico, por isso foram buscar uma estrela, e as estrelas — Hollywood ensinou-nos isso —, filmam-se em grandes planos. Claro que é assustador subir a rua e dar de caras com aquele rosto enorme, mas os publicitários acham que o banco beneficiaria da aura do treinador (na verdade, eles também sabem que as pessoas depressa esquecem o que a imagem pretende vender). Agora é a vez do Continente (que é da família do Millenium, pois entre os ricos todos são primos e primas) expôr mais uma série de cartazes com grandes, muito grandes, planos. São pessoas anónimas e dizem "o continente somos todos nós", mas como é possível num enquadramento de estrela encontrar o "nós"?

2 Comments:

Blogger Rui Manuel Amaral said...

EXCELENTE.

4:45 PM  
Blogger Carlos Natálio said...

A estrela dos Continentes e Milleniums é sempre um "nós". Um «nós» feito de corpos que trabalham a indefinição, rostos tipo, sorrisos aparvalhados, camisolas coloridas. A estrela dos Continentes e Milleniuns, funcional, é esse «nós», quer dizer, um protótipo do consumidor perante o qual qualquer lógica de enquadramento rebenta. Ou pelo menos, luta.

10:28 AM  

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