– Ah! Se houvesse facas e tesouras, escopros, chuços e arcabuzes, morteiros, foices e martelos, canhões, canhões, dinamite.
Vai e Vem, de João César Monteiro, encerra o ciclo Poemas com Cinema, amanhã às 22h, no Teatro do Campo Alegre, no Porto.
Meia hora mais cedo, e apenas a uns quilómetros de distância, será projectado Torre Bela, de Thomas Harlan. É o que se pode chamar um verdadeiro acontecimento político, por oposição (e aqui oposição quer dizer mesmo oposição) aos falsos acontecimentos políticos que a televisão nos oferece ao jantar.
Vai e Vem, de João César Monteiro, encerra o ciclo Poemas com Cinema, amanhã às 22h, no Teatro do Campo Alegre, no Porto.
Meia hora mais cedo, e apenas a uns quilómetros de distância, será projectado Torre Bela, de Thomas Harlan. É o que se pode chamar um verdadeiro acontecimento político, por oposição (e aqui oposição quer dizer mesmo oposição) aos falsos acontecimentos políticos que a televisão nos oferece ao jantar.


1 Comments:
Os «verdadeiros acontecimentos políticos» vive-mo-los nos cinemas e em museus? Muito raramente. Desde os anos oitenta que é mais que aceite a superficialidade (flatness) da televisão, mas mais que esta, penso ser o paradigma do museu o falso acontecimento político e o nosso verdadeiro dilema. Imersos em bienais e retrospectivas, em ciclos ou exposições temáticas, raros são os momentos de projecção como a da Branca de Neve do César Monteiro pela primeira vez, os da permanente resistência crua, de cada filme, de Straub-Huillet ou as recentes imolações com fogo na Tunísia, como demonstração em publico de um mal estar generalizado... e estes sim, são políticos e polinizadores de revoltas... Como escrevia à pouco Agamben, e com razão, «enquanto a economia, a medicina e a tecnologia de todas as espécies (que são sempre, em última análise, técnicas de governo) assumem a direcção dos destinos humanos, os problemas espirituais (e as técnicas que lhes transmitiam a experiência: poesia, filosofia, arte) deslizam insensivelmente para a esfera da cultura, isto é, deixam de ser decisivos [ou seja, "verdadeiramente políticos"]. Porque - ocorre recordá-lo? - hoje se continuam a construir museus (até mesmo sem se aperceberem da contradição, "museus de arte contemporânea"), auditórios e teatros, mas é claro que tudo isto já em nada diz respeito às questões que decidem da nossa possibilidade de viver e de ser felizes.»
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