Le jardin du dépouillement, qui ose nier sa beauté?


Breves anotações: a profusão de espelhos e janelas (as personagens surgem muitas vezes enquadradas através de vidros ou de reflexos, cópias de si mesmas); um tom burlesco, ligeiro e amável como Marie (a cópia intuitiva de Miller?); a trama das línguas (a tradução como cópia certificada?).
Quando eles estão sentados na fonte, quando Juliette Binoche (se não me engano, ela nunca é nomeada no filme) elogia o gesto da estátua (fora de campo), James Miller diz-lhe: tu es une fleur bleue (die blaue Blume).


5 Comments:
Um filme brilhante, de rara sensibilidade e rigor, que, sendo a dura viagem de uma mágoa dilacerante e escura, é, mais que isso, a possibilidade de a redimir (ou não), em silêncio (ou seja, no corpo inquieto de Binoche, já desde o início, que na profundidade distante do olhar de Shimell, sobretudo, no final, quando olha para o abismo de si ao espelho), à incompreensão e separação que, com o passar dos anos, se instala sem maldade nem piedade na rede de relações íntimas (sempre estranhas) entre casais e entre pais e filhos ou nos filhos entre os pais.
E claro que a redenção só se dá na cópia.
O conselho de pai para filho é a voz redentora (como o é a anti-voz no segredo de mãe para filha) do silêncio que entra (para logo se calar) finalmente em cena... deixando todavia uma mágua exposta, num desamparo de um "salve-se quem poder" a arder.
E há uma outra sensação que paira ali no ar: a de que ela o está sempre a levar para dentro (de casas, de coisas...) e a de que ele a está sempre a levar para fora (...dela, de si, dos outros...)... A imagem final parece evocar isso (deixando-o em aberto): por quem se decida em ficar lá dentro, por quem se decida em permanecer lá fora. Uma copia conforme à origem da escolha.
tens razão, por isso a loja dela é uma cave escura :)
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