Segunda-feira, Maio 31
Compreender com o meu coração
mostra que a palavra quotidiana pode ser atravessada pelo sentimento de iniciação à vida, pela emoção que abala o corpo inteiro, quer dizer, mostra que a musicalidade da existência, o inexprimível, banha as nossas palavras mais simples.
Último parágrafo de Símbolo, Analogia e Afinidade, de Maria Filomena Molder.
Janeiro de 2010, Vendaval.
Último parágrafo de Símbolo, Analogia e Afinidade, de Maria Filomena Molder.
Janeiro de 2010, Vendaval.
Compreender com o coração
«Falta qualquer coisa quando não ouço música e quando ouço, então é que falta mesmo qualquer coisa.»
Robert Walser citado na página 63 de Símbolo, Analogia e Afinidade, de Maria Filomena Molder.
Robert Walser citado na página 63 de Símbolo, Analogia e Afinidade, de Maria Filomena Molder.
Domingo, Maio 30
Sobre o que podemos não fazer
Posey é grande e forte, um corpo de lenhador. E no entanto, quando Reisman o desafia para uma luta, também ele, como o franzino Bartleby, se escusa a fazer o que lhe pedem. Avança timidamente, com as mãos nos bolsos, e por duas vezes diz: I'd rather not. (The Dirty Dozen, Part 5, 3:37)
— Muito bem — disse Mark, levantando-se. — Só tenho uma coisa a dizer.
— Tem cuidado.
— Não sei o que queremos. Mas seja o que for, não havemos de o conseguir.
— Porque não?
— Porque já o temos.
Len sentou-se e fechou os olhos.
Últimas linhas do 26º capítulo d' OS ANÕES, de Harold Pinter. Tradução de José Lima, edição Dom Quixote.
— Tem cuidado.
— Não sei o que queremos. Mas seja o que for, não havemos de o conseguir.
— Porque não?
— Porque já o temos.
Len sentou-se e fechou os olhos.
Últimas linhas do 26º capítulo d' OS ANÕES, de Harold Pinter. Tradução de José Lima, edição Dom Quixote.
Sábado, Maio 29
Sexta-feira, Maio 28
A Russian Tale
The tsar our little father had grown old, very old. Now he could not even strangle a dove with his own hands. Sitting on his throne he was golden and frigid. Only his beard grew, down to the floor and farther.
Then someone else ruled, it was not known who. Curious folk peeped into the palace windows but Krivonosov screened the windows with gibbets. Thus only the hanged saw anything.
In the end the tsar our little father died for good. The bells rang and rang, yet they did not bring his body out. Our tsar had grown into the throne. The legs of the throne had become all mixed up with the legs of the tsar. His arm and the armrest were one. It was impossible to tear him loose. And to bury the tsar along with the golden throne — what a shame.
Zbigniew Herbert
Then someone else ruled, it was not known who. Curious folk peeped into the palace windows but Krivonosov screened the windows with gibbets. Thus only the hanged saw anything.
In the end the tsar our little father died for good. The bells rang and rang, yet they did not bring his body out. Our tsar had grown into the throne. The legs of the throne had become all mixed up with the legs of the tsar. His arm and the armrest were one. It was impossible to tear him loose. And to bury the tsar along with the golden throne — what a shame.
Zbigniew Herbert
Três poemas de Kostas Montis
A UM FILÓLOGO, CRÍTICO DE POESIA
se realmente encontrou vinte lambdas no poema
fico preocupado
se realmente encontrou vinte deltas
fico mesmo preocupado
A UM POETA
Não tinha nada a dizer, senhor.
Porque foi incomodar as palavras,
porque as incomodou?
VIDA
Ela não se importa se nos desagrada
Sabe que não nos vamos voltar a encontrar.
Tradução de Fotiní Hadjittofi.
se realmente encontrou vinte lambdas no poema
fico preocupado
se realmente encontrou vinte deltas
fico mesmo preocupado
A UM POETA
Não tinha nada a dizer, senhor.
Porque foi incomodar as palavras,
porque as incomodou?
VIDA
Ela não se importa se nos desagrada
Sabe que não nos vamos voltar a encontrar.
Tradução de Fotiní Hadjittofi.
Quinta-feira, Maio 27
[O livro de poemas] "Tuca" arranca con un epígrafe de Tita Merello: “El ejército más grande del mundo lo forman los pobres, los enfermos y los desesperados”. Cuando se publicó el libro, Juan Carlos, el padre de Casas, se lo llevó a la entonces octogenaria “morocha argentina”. Asombrada, con el ejemplar en la mano, confesó: “No me acuerdo de haber dicho nunca esto”. Después el padre lo increpó: “¿Esto te lo inventaste vos?” No, no lo inventó el poeta. Lo leyó, no recuerda dónde. Y le pareció genial.
Fabián Casas.
Fabián Casas.
Trocando dólares por cêntimos
Levei a minha navalha para a escola, disse o Pai,
e tracei um boneco na minha carteira. O reitor
disse-me que eu não concluiria o curso a não ser
que lhe desse cinco dólares para emendar o erro.
Os meus pais deram-me o dinheiro, uma soma
considerável naquele tempo. Eu fui ao banco
e troquei-o por 500 cêntimos. Coloquei-os
dentro de um saco de papel e bati à porta do reitor.
Despejei os cêntimos sobre a sua secretária
& disse-lhe que violara o meu porquinho-mealheiro.
Pensei que ele teria pena de mim & me diria
que eu guardasse o dinheiro. Mas ele disse-me que não
podia aceitar os cêntimos, que eu tinha de ir a um banco
e trazer-lhe cinco dólares. Era um tipo duro.
Hal Sirowitz.
e tracei um boneco na minha carteira. O reitor
disse-me que eu não concluiria o curso a não ser
que lhe desse cinco dólares para emendar o erro.
Os meus pais deram-me o dinheiro, uma soma
considerável naquele tempo. Eu fui ao banco
e troquei-o por 500 cêntimos. Coloquei-os
dentro de um saco de papel e bati à porta do reitor.
Despejei os cêntimos sobre a sua secretária
& disse-lhe que violara o meu porquinho-mealheiro.
Pensei que ele teria pena de mim & me diria
que eu guardasse o dinheiro. Mas ele disse-me que não
podia aceitar os cêntimos, que eu tinha de ir a um banco
e trazer-lhe cinco dólares. Era um tipo duro.
Hal Sirowitz.
Quarta-feira, Maio 26
Terça-feira, Maio 25
'I see nobody on the road,' said Alice.
'I only wish I had such eyes,' the King remarked in a fretful tone. 'To be able to see Nobody! And at that distance, too! Why, it's as much as I can do to see real people, by this light!'
'I only wish I had such eyes,' the King remarked in a fretful tone. 'To be able to see Nobody! And at that distance, too! Why, it's as much as I can do to see real people, by this light!'
Segunda-feira, Maio 24
Experimental demonstration of the tomatotopic organization in the Soprano (Cantatrix sopranica L.)
Georges Perec
Laboratoire de physiologie
Faculté de médecine Saint-Antoine
Paris, France
Sommaire:Georges Perec
Laboratoire de physiologie
Faculté de médecine Saint-Antoine
Paris, France
Démonstration expérimentale d'une organisation tomatotopique chez la Cantatrice.
L'auteur étude les fois que le lancement de la tomate il provoquit la réaction yellante chez la Chantatrice et demonstre que divers plusieures aires de la cervelle elles etait implicatées dans le response, en particular, le trajet légumier, les nuclei thalameux et le fiçure musicien de l'hémisphère nord. ->|<-
Domingo, Maio 23
Andava aflito o jovem Pedro
Inês de Castro
nasceu hoje,
pelas 18h00,
com 3 kg
e 49,5 cm.
Parabéns à mamã
e ao papá.
nasceu hoje,
pelas 18h00,
com 3 kg
e 49,5 cm.
Parabéns à mamã
e ao papá.
Sábado, Maio 22
Quinta-feira, Maio 20
A beleza é difícil
"A beleza é difícil", disse Mr. Beardsley.
"A beleza é difícil", escreveu Mr. Pound.
Mr Beardsley sofria de enxaquecas.
Mr. Pound tinha dores de dentes.
"A beleza é difícil", escreveu Mr. Pound.
Mr Beardsley sofria de enxaquecas.
Mr. Pound tinha dores de dentes.
Quarta-feira, Maio 19
Receita simples para escrever poemas
Bater insistentemente
com a cabeça nas paredes
até ver estrelas.
com a cabeça nas paredes
até ver estrelas.

12/6/43
Dear Mr. Ells -
No, I don't sell my books my self. There are several book stores which carry them. In New York City there is The Gotham Book Mart - 51 W. 47th St. Write or visit them.
Sincerely yours,
Henry Miller
[Via Forgotten Bookmarks]
Terça-feira, Maio 18
O jovem Byron
Ao inscrever-se no livro
de um hotel
algures em Itália,
o jovem Byron escreveu
na coluna da idade:
cem anos.
Todos se riram.
Só ele sabia que não
estava a gracejar.
de um hotel
algures em Itália,
o jovem Byron escreveu
na coluna da idade:
cem anos.
Todos se riram.
Só ele sabia que não
estava a gracejar.
Segunda-feira, Maio 17
Domingo, Maio 16
Muro
Já vi pessoas com tiques pavorosos. Em tempos conheci um homem que não parava de coçar a nuca. Um dia, enquanto coçava a nuca ao volante, perdeu o controlo do automóvel e chocou violentamente contra um muro. Entrou em coma. No hospital, durante o longo período em que permaneceu inconsciente, continuou a coçar a nuca. Sobreviveu sem sequelas de relevo. Mas o problema é que não consegue parar e o tique até se agravou desde então.
Sábado, Maio 15
Kennst du das Land, wo die Zitrone blühn,
Im dunkeln Laub die Gold-Orange glühn,
Ein sanfter Wind vom blauen Himmel weht,
Die Myrthe still und hoch der Lorbeer steht,
Kennst du es wohl?
Dahin! Dahin
Möcht' ich mit dir, o mein Geliebter, Ziehn!
Im dunkeln Laub die Gold-Orange glühn,
Ein sanfter Wind vom blauen Himmel weht,
Die Myrthe still und hoch der Lorbeer steht,
Kennst du es wohl?
Dahin! Dahin
Möcht' ich mit dir, o mein Geliebter, Ziehn!
Sexta-feira, Maio 14
Furtwängler
Leonid Furtwängler tinha uma cara tão repugnante que qualquer pessoa que olhasse para ele sentia logo uma necessidade irresistível de o esmurrar, em especial no olho direito.
E era justamente isso que acontecia.
E era justamente isso que acontecia.
Quinta-feira, Maio 13
quelque chose de l'amour





Godard diz: há quatro momentos do amor.
Mas o filme mostra-nos um outro momento: o momento da representação. Perceval, Eglantine.
«Laicismo [...] Importa entendermo-nos sobre esta expressão “laico” e derivadas. “Laico” não quer dizer “ateu”. Há Estados e até religiões ateias. Mas não é esse o caso dos numerosos Estados que seguiram nas relações com o culto o paradigma do Estado francês pós-revolucionário. “Estado laico” é aquele que considera como assunto privado o culto e as opiniões religiosas dos cidadãos. Melhor do que “ateu”, a palavra “tolerante” caracteriza a expressão “laico” quando referida a Estado. Mas, na medida em que estabelece a igualdade dos cidadãos perante a lei, destrói os privilégios feudais, centraliza e unifica a autoridade, o novo Estado torna impossível a dualidade de poderes. Dentro do Estado laico, a Igreja deixa de ser um poder, uma entidade com jurisdição, autoridade pública, direito a cobrar impostos, etc. Deixa de haver dualismo, não porque o poder civil absorvesse o poder eclesiástico, mas porque deixou de haver poder eclesiástico, porque as questões religiosas passaram a ser assunto privado, porque existe uma única jurisdição aplicável a todos os cidadãos.
Em resultado desta evolução, resumidamente exposta, o Estado laico, isto é, o Estado que reconhece por igual a cada um dos cidadãos o direito a praticar o seu culto, sem reconhecer a qualquer deles privilégios particulares, tornou-se, durante o século passado e o presente, uma das feições mais características da chamada “civilização ocidental”. [...]»
António José Saraiva, "Dicionário Crítico de Algumas Ideias e Palavras Correntes".
Em resultado desta evolução, resumidamente exposta, o Estado laico, isto é, o Estado que reconhece por igual a cada um dos cidadãos o direito a praticar o seu culto, sem reconhecer a qualquer deles privilégios particulares, tornou-se, durante o século passado e o presente, uma das feições mais características da chamada “civilização ocidental”. [...]»
António José Saraiva, "Dicionário Crítico de Algumas Ideias e Palavras Correntes".
Quarta-feira, Maio 12
I daresay talking to a poet has turned my head
Amor é uma palavra tramada. N' A Flor Azul, Karoline ama Fritz e Fritz ama Sophie. O verbo é o mesmo, no entanto os sentimentos compõem-se de maneira tão diversa — como se um fosse para o norte e outro para o sul. Talvez, se pudessemos partir a palavra em pedacinhos, pedacinhos de ossos,...
Resisto a Uma Gata, um Homem e Duas Mulheres de Junichiro Tanizaki. (Porque o corpo da letra é exagerado — para transformar um livro de bolso num livro de 15 euros? — e porque embirro com as traduções de Telma Costa desde Sebald.) Ah, mas não resisto ao Tiepolo Pink de Roberto Calasso.
Por conta do subsídio de natal e a bem da nação.
Por conta do subsídio de natal e a bem da nação.
Harmonia Mundi
Na montra da tabacaria:
de um lado, as primeiras páginas com o Papa / do outro, os Negros Hábitos de Almodóvar.
de um lado, as primeiras páginas com o Papa / do outro, os Negros Hábitos de Almodóvar.
Terça-feira, Maio 11
Quero falar aqui de algo mais pitoresco e estimulante, que é o ensaio "Teologia e Falsificação", que [o filósofo inglês Antony] Flew escreveu no auge dos seus poderes mentais e que merece ser mais conhecido no Brasil.
Ele começa com uma modificação da "Parábola dos Jardineiros", do filósofo inglês John Wisdom. Trata-se do seguinte. Dois exploradores chegam a uma clareira florida. Um deles acha que deve haver algum jardineiro cuidando da clareira, mas o outro não concorda. Para resolver a questão, montam guarda, mas não aparece ninguém. O explorador que crê na existência de um jardineiro supõe então que este seja invisível. Para testar essa hipótese, fazem uma cerca de arame farpado em torno da clareira, e põem cães a guardá-la. Nada acontece, porém.
Contudo, o crente não desiste. Segundo ele, o jardineiro pode ser invisível, intangível, insensível a choques elétricos e inodoro. E aí o cético, perdendo a paciência, lhe pergunta: "Em que é que um jardineiro invisível, intangível e imperceptível seria diferente de um jardineiro imaginário, ou de um jardineiro inexistente?".
António Cícero.
Ele começa com uma modificação da "Parábola dos Jardineiros", do filósofo inglês John Wisdom. Trata-se do seguinte. Dois exploradores chegam a uma clareira florida. Um deles acha que deve haver algum jardineiro cuidando da clareira, mas o outro não concorda. Para resolver a questão, montam guarda, mas não aparece ninguém. O explorador que crê na existência de um jardineiro supõe então que este seja invisível. Para testar essa hipótese, fazem uma cerca de arame farpado em torno da clareira, e põem cães a guardá-la. Nada acontece, porém.
Contudo, o crente não desiste. Segundo ele, o jardineiro pode ser invisível, intangível, insensível a choques elétricos e inodoro. E aí o cético, perdendo a paciência, lhe pergunta: "Em que é que um jardineiro invisível, intangível e imperceptível seria diferente de um jardineiro imaginário, ou de um jardineiro inexistente?".
António Cícero.
Segunda-feira, Maio 10
Si tu veux entrer dans les profondeurs de la physique, fais-toi initier aux mystères de la poésie (et vice versa)

— Ah non, pas Novalis! C’est un savant, pas un poète! Un savant de la poésie, comme ton Brecht au théâtre.*
Domingo, Maio 9
A filosofia e a música pop
I see the fault in Fichte's system
There is no place in it for love
There is no place in it for love
...
(some lyrics from a lost song by) Fritz von Hardenberg
There is no place in it for love
There is no place in it for love
...
(some lyrics from a lost song by) Fritz von Hardenberg
Oh, Caroline you
'Words are given us to understand each other, even if not completely,' Fritz went on in great excitement.
"And to write poetry.'
'Yes that's so, Justen, but you mustn't ask too much of language. Language refers only to itself, it is not the key to anything higher. Language speaks, because is its pleasure and it can do nothing else.'
'In that case it might as well be nonsense,' objected Karoline.
'Why not? Nonsense is only another language.'
The blue Flower (The last lines of the chapter"The nature of desire")
"And to write poetry.'
'Yes that's so, Justen, but you mustn't ask too much of language. Language refers only to itself, it is not the key to anything higher. Language speaks, because is its pleasure and it can do nothing else.'
'In that case it might as well be nonsense,' objected Karoline.
'Why not? Nonsense is only another language.'
The blue Flower (The last lines of the chapter"The nature of desire")
The blue flower, de Penelope Fitzgerald. (Recentemente traduzido por José Miguel Silva para a Relógio d'Água.)
Sábado, Maio 8
Jorge Leandro Rosa: Novalis trabalhava com os elementos minerais.
Olivier Schefer: Sim, ele era engenheiro de minas. Estudou em Freiburg, na primeira escola de minas na Europa, um lugar de encontros espantoso nessa época, onde passou um Humboldt. Novalis pensa as pedras, pensa com as pedras. Percebemos por que razão um Caillois estava tão interessado nele. O que ele faz é retirar a natureza a representações demasiado exteriores. A natureza produz, constantemente, «espécies» novas, mesmo no sentido mineral, graças ao clima e mesmo à poluição. Ficamos com esta ideia de que é graças às impurezas que novas formas são engendradas. Um funcionamento pela impureza. Sair de um domínio específico, confrontar um outro. É isso que Novalis tenta fazer: combinar as espécies, o pensamento, a representação, tentando construir algo com tudo isso. Estão já aí as grandes questões da arte moderna. Novalis é um nómada. Embora nunca tenha viajado para além dos reinos da língua alemã, ele desloca-se constantemente num trabalho que visava reconfigurar o mapa real e imaginário das regiões que conhecia. Justaposições e sobreposições de mapas reais e mapas imaginários.
Entrevista a Olivier Schefer, na revista Nada n.º 14.
Olivier Schefer: Sim, ele era engenheiro de minas. Estudou em Freiburg, na primeira escola de minas na Europa, um lugar de encontros espantoso nessa época, onde passou um Humboldt. Novalis pensa as pedras, pensa com as pedras. Percebemos por que razão um Caillois estava tão interessado nele. O que ele faz é retirar a natureza a representações demasiado exteriores. A natureza produz, constantemente, «espécies» novas, mesmo no sentido mineral, graças ao clima e mesmo à poluição. Ficamos com esta ideia de que é graças às impurezas que novas formas são engendradas. Um funcionamento pela impureza. Sair de um domínio específico, confrontar um outro. É isso que Novalis tenta fazer: combinar as espécies, o pensamento, a representação, tentando construir algo com tudo isso. Estão já aí as grandes questões da arte moderna. Novalis é um nómada. Embora nunca tenha viajado para além dos reinos da língua alemã, ele desloca-se constantemente num trabalho que visava reconfigurar o mapa real e imaginário das regiões que conhecia. Justaposições e sobreposições de mapas reais e mapas imaginários.
Entrevista a Olivier Schefer, na revista Nada n.º 14.
Sexta-feira, Maio 7
Subir as escadas de Escher
Alguns têm na vida um grande sonho e faltam a esse sonho.
Outros não têm na vida nenhum sonho, e faltam a esse também.
Livro do Desassossego
Outros não têm na vida nenhum sonho, e faltam a esse também.
Livro do Desassossego
Quinta-feira, Maio 6
Une visite au Louvre, Danièle Huillet and Jean-Marie Straub, 2004. (via Some Came Running)
Quarta-feira, Maio 5
A parte anterior da cabeça é a face. A parte posterior apelida-se de nuca. É possivel rodar ou inclinar a cabeça graças a duas vértebras no cimo da coluna vertebral. A cabeça mantém-se direita graças à acção dos músculos e ossos que compõem o pescoço. (Estudos básicos de anatomia, wikipédia)
El vigor verdadero reside en la cabeza

Segundo a Régua de Cálculo Automático de Estruturas Poéticas de Vicente Huidobro, o contrário proporcional da sobrinha do chefe da estação é a Louise Brooks.
¿Con qué intención me hace Ud. esta pregunta?
¿Qué significación da Ud. a las viejas escuelas, la simbolista, el parnasianismo y el modernismo?
Creo que todas las escuelas han sido buenas, porque han significado un proceso de la poesía en diversos caminos, han significado una agudización, un ahondamiento del sentido poético. Pero, naturalmente, lo más importante dentro de cada escuela ha sido el aporte de ciertos grandes poetas que por su propia grandeza salen más allá de sus escuelas, rebasan por todos lados.
¿Cuáles son, para Ud., los valores más altos que Ud. admira en esas escuelas pasadas?
Baudelaire, Rimbaud, Lautréamont, Mallarmé, Jarry, Apollinaire. Pero si le he de decir verdad, prefiero los poetas de mi tiempo a casi todos los pasados. Para mí, la poesía que más me interesa comienza en mí generación y para hablar claro, le diré que empieza en mí. Esto no quiere decir que no admire a las grandes figuras de otros tiempos, les admiro y respeto mucho, pero prefiero a los míos, a los que están más cerca de mi pecho.
¿Qué piensa de García Lorca?
Que es un poeta muy mediocre. Para mí no tiene ningún interés. En general, los poetas españoles carecen de imaginación y de inteligencia poética. La literatura española está aplastada por la retórica, esa terrible retórica del Mediterráneo, que mantiene ahogados bajo su lápida a todos los escritores de España, de Italia y muchos de Francia. Bueno, en realidad, Italia no tiene escritores sino escribanos, como el imbécil del tal Petigrilli, el tanto furibundo de Marinetti y el tonto estético de D'Annunzio, con su cortejo de frases con miriñaques y crinolinas. Es increíble en el país del Dante, de ese genio cósmico, asombroso, que cada día me parece más admirable. Lo mismo sucede en España. ¿Cómo es posible que el magnífico impulso dado por los grandes poetas del Siglo de Oro no haya tenido continuidad? ¿Qué se hizo el genio español? Esto ha sido siempre, para mí, un motivo de misterio y de miles de conjeturas. Seguramente el descubrimiento de América desvió la imaginación española hacia la aventura vital de los exploradores y conquistadores, y la alejó de toda aventura intelectual; el español puso su acento en otra clase de conquistas que las espirituales. Y luego la retórica, la terrible retórica mediterránea, es como una lápida sobre el corazón, como un casco apretando los sesos; una verdadera armadura de hierro. Fíjese Ud. que todos los españoles de hoy escriben con un tono engolado, que parece salido de otros siglos, en un estilo tieso, rígido, con carrasperas de fantasmas y frío, de catedrales o humedad de cementerios. Escribir bien, para un español, es escribir como se escribía antes. Por eso la literatura española tiene tan poca vida. No han producido nada en una cantidad de ramas y subramas de las letras. No tienen un solo gran dramaturgo, ni un novelista de primer plano, ni un sicólogo, ni un gran pensador. No hay en España un Dostoievski, ni un Gogol, ni un Tolstoy, ni un Stendhal, ni un Balzac, ni siquiera un Proust, ni un Meredith, ni un Goethe, ni un Hölderlin, ni un Nietszche, para no nombrar sino autores de todos conocidos. Lo mejor que ha tenido la literatura española en los últimos tiempos es acaso Valle Inclán, a pesar de su voz engolada. No hubo en España un Victor Hugo, un Musset, un Baudelaire, un Rimbaud, un Lautréamont, un Mallarmé, ni nada comparable. Mientras Inglaterra poseía un Byron, un Shelley, un Black, España no tenía sino un Zorrilla, un Espronceda, un Núñez de Arce o novelistas como el señor Pereda, que todavía se atreven a editar los editores hispanos. Frente a esas montañas, unos tres o cuatro melones huecos. Desde el Siglo de Oro, las letras españolas, son un desierto intelectual hasta Rubén Darío. Ésta es la verdad, la muy triste verdad.
¿Qué piensa Ud. de la poesía chilena?
Creo que está entrando en un buen camino, por lo menos hay un grupo de nuevos poetas que tratan de superarse y de no dejarse llevar por la facilidad.
¿Qué piensa de Pablo Neruda?
¿Con qué intención me hace Ud. esta pregunta? ¿Es forzoso bajar de plano y hablar de cosas mediocres? Ud. sabe que no me agrada lo calugoso, lo gelatinoso. Yo no tengo alma de sobrina de jefe de estación. Estoy a tantas leguas de todo eso.
¿Cree Ud. que esa poesía que Ud. llama gelatinosa puede hacer escuela en América?
Es posible, pero sólo entre los mediocres. Es una poesía fácil, bobalicona, al alcance de cualquier plumífero. Es, como dice un amigo mío, la poesía especial para todas las tontas de América.
Vicente Huidobro, 1939.
Creo que todas las escuelas han sido buenas, porque han significado un proceso de la poesía en diversos caminos, han significado una agudización, un ahondamiento del sentido poético. Pero, naturalmente, lo más importante dentro de cada escuela ha sido el aporte de ciertos grandes poetas que por su propia grandeza salen más allá de sus escuelas, rebasan por todos lados.
¿Cuáles son, para Ud., los valores más altos que Ud. admira en esas escuelas pasadas?
Baudelaire, Rimbaud, Lautréamont, Mallarmé, Jarry, Apollinaire. Pero si le he de decir verdad, prefiero los poetas de mi tiempo a casi todos los pasados. Para mí, la poesía que más me interesa comienza en mí generación y para hablar claro, le diré que empieza en mí. Esto no quiere decir que no admire a las grandes figuras de otros tiempos, les admiro y respeto mucho, pero prefiero a los míos, a los que están más cerca de mi pecho.
¿Qué piensa de García Lorca?
Que es un poeta muy mediocre. Para mí no tiene ningún interés. En general, los poetas españoles carecen de imaginación y de inteligencia poética. La literatura española está aplastada por la retórica, esa terrible retórica del Mediterráneo, que mantiene ahogados bajo su lápida a todos los escritores de España, de Italia y muchos de Francia. Bueno, en realidad, Italia no tiene escritores sino escribanos, como el imbécil del tal Petigrilli, el tanto furibundo de Marinetti y el tonto estético de D'Annunzio, con su cortejo de frases con miriñaques y crinolinas. Es increíble en el país del Dante, de ese genio cósmico, asombroso, que cada día me parece más admirable. Lo mismo sucede en España. ¿Cómo es posible que el magnífico impulso dado por los grandes poetas del Siglo de Oro no haya tenido continuidad? ¿Qué se hizo el genio español? Esto ha sido siempre, para mí, un motivo de misterio y de miles de conjeturas. Seguramente el descubrimiento de América desvió la imaginación española hacia la aventura vital de los exploradores y conquistadores, y la alejó de toda aventura intelectual; el español puso su acento en otra clase de conquistas que las espirituales. Y luego la retórica, la terrible retórica mediterránea, es como una lápida sobre el corazón, como un casco apretando los sesos; una verdadera armadura de hierro. Fíjese Ud. que todos los españoles de hoy escriben con un tono engolado, que parece salido de otros siglos, en un estilo tieso, rígido, con carrasperas de fantasmas y frío, de catedrales o humedad de cementerios. Escribir bien, para un español, es escribir como se escribía antes. Por eso la literatura española tiene tan poca vida. No han producido nada en una cantidad de ramas y subramas de las letras. No tienen un solo gran dramaturgo, ni un novelista de primer plano, ni un sicólogo, ni un gran pensador. No hay en España un Dostoievski, ni un Gogol, ni un Tolstoy, ni un Stendhal, ni un Balzac, ni siquiera un Proust, ni un Meredith, ni un Goethe, ni un Hölderlin, ni un Nietszche, para no nombrar sino autores de todos conocidos. Lo mejor que ha tenido la literatura española en los últimos tiempos es acaso Valle Inclán, a pesar de su voz engolada. No hubo en España un Victor Hugo, un Musset, un Baudelaire, un Rimbaud, un Lautréamont, un Mallarmé, ni nada comparable. Mientras Inglaterra poseía un Byron, un Shelley, un Black, España no tenía sino un Zorrilla, un Espronceda, un Núñez de Arce o novelistas como el señor Pereda, que todavía se atreven a editar los editores hispanos. Frente a esas montañas, unos tres o cuatro melones huecos. Desde el Siglo de Oro, las letras españolas, son un desierto intelectual hasta Rubén Darío. Ésta es la verdad, la muy triste verdad.
¿Qué piensa Ud. de la poesía chilena?
Creo que está entrando en un buen camino, por lo menos hay un grupo de nuevos poetas que tratan de superarse y de no dejarse llevar por la facilidad.
¿Qué piensa de Pablo Neruda?
¿Con qué intención me hace Ud. esta pregunta? ¿Es forzoso bajar de plano y hablar de cosas mediocres? Ud. sabe que no me agrada lo calugoso, lo gelatinoso. Yo no tengo alma de sobrina de jefe de estación. Estoy a tantas leguas de todo eso.
¿Cree Ud. que esa poesía que Ud. llama gelatinosa puede hacer escuela en América?
Es posible, pero sólo entre los mediocres. Es una poesía fácil, bobalicona, al alcance de cualquier plumífero. Es, como dice un amigo mío, la poesía especial para todas las tontas de América.
Vicente Huidobro, 1939.
Terça-feira, Maio 4
Probably neither works
INTERVIEWER
What is your daily routine?
LARKIN
My life is as simple as I can make it. Work all day, cook, eat, wash up, telephone, hack writing, drink, television in the evenings. I almost never go out. I suppose everyone tries to ignore the passing of time — some people by doing a lot, being in California one year and Japan the next. Or there’s my way — making every day and every year exactly the same. Probably neither works.
The art of poetry Nº30 | Philip Larkin (via a mesa de luz)
What is your daily routine?
LARKIN
My life is as simple as I can make it. Work all day, cook, eat, wash up, telephone, hack writing, drink, television in the evenings. I almost never go out. I suppose everyone tries to ignore the passing of time — some people by doing a lot, being in California one year and Japan the next. Or there’s my way — making every day and every year exactly the same. Probably neither works.
The art of poetry Nº30 | Philip Larkin (via a mesa de luz)











