Pode dizer-se que Allan Poe é a figura inaugural da modernidade no negativo. Mas também se pode dizer, sem errar demasiado, que, de facto, a figura inaugural é Charles Baudelaire. Na verdade, o primeiro é, em certa medida, uma invenção do segundo. A tal ponto que Baudelaire traduziu textos de Poe como uma forma de apropriação, chegando a deixar no ar que a fronteira entre um e outro era da ordem do idiscernível. Poe terá agradecido e nós por ele. A Baudelaire o que é de Poe e a Poe o que é de Baudelaire. Será assim tão importante a questão da assinatura? A literatura pode ser (in)apropriada.
Um texto excepcional. Continua aqui.
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