Um profundo rubor nas conjuntivas
Josef olhava para o outro lado das coisas e via o que mais ninguém conseguia ver. Ele via claramente a máquina de escrever por trás de cada frigorífico. Os loucos motores que laboram por trás de cada árvore. Os comboios velozes das paredes. Visões demasiado impressionantes para um homem simples e vulnerável. Por causa disso, era atacado de violentas dores de cabeça. Ninguém como ele tinha os olhos tão cansados, pesados, velados. Um profundo rubor nas conjuntivas conferia-lhe uma permanente expressão de fadiga. De nervos torturados e cada vez mais exausto, Josef evitava sobretudo observar-se ao espelho. O que via por trás da sua imagem era suficiente para aterrar o homem mais resoluto: mas esse era um assunto de ordem puramente particular e que apenas ao próprio dizia respeito.


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