Quinta-feira, Abril 22

Creio que minha posição pessoal em relação ao assunto deve ficar clara aqui: me agrada a idéia de um pensamento sofisticado, sutil, mas me desagrada a idéia de texto restrito a iniciados, bem como detesto a idéia de especialistas quando o assunto é literatura. Parafraseando o grande alemão Lichtenberg: quem entende só de Clarice Lispector não entende nem de Clarice Lispector. Defendo o meu amadorismo no assunto até o fim, e admirava imensamente o Haroldo de Campos, que se metia, equipado ou não para isso, em poesia russa, alemã, japonesa, chinesa, yorubá, grega, e se dizia um “desespecialista em fragmentos”. Aliás, boa parte da frustração de uma certa espécie de leitor diante da poesia contemporânea não estará na presunção de que deve ler como “especialista”? Decifrando, interpretando, produzindo comentários “cultos”, em vez de partir para a leitura do poema com a garra do amador, que não investe nenhum narcisismo na operação e por isso mesmo não se sente ludibriado se um poema não lhe toca, apenas compreende que ele e aquele poema não foram feitos um para o outro?

Carlito Azevedo.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Que bela opinião.

Sou amante de poesia. Leitora assídua de muitos( todos. Novos, antigos) poetas. Leio, leio, leio. Nunca tive preocupação em decifrar com olhos de especialista. Para mim a poesia é como outra coisa qualquer , sem aqual não posso viver, o ar: por exemplo.

Obrigada por este blog.

2:00 PM  

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