Sempre que oiço a palavra moral

Ontem comprei as folhas da cinemateca dedicadas a Luis Buñuel — queria ler o texto sobre Susana, Demonio y Carne, já não sei bem porquê relacionado com João César Monteiro. Não descobri o motivo, mas descobri este extraordinário parágrafo dedicado a Rosita Quintana:
Houve quem risse (e talvez ainda hoje) dos seus trejeitos e do seu permanente gesto de baixar o decote. Quem ironiza, esquece a importância da figura da repetição na imagética surrealista e esquece o que o crítico mexicano José de La Colina observou a Buñuel na "entrevista-fleuve" que com ele fez: "De cada vez que Susana abre o decote para seduzir um homem parece parodiar a frase de Goebbels: Sempre que oiço a palavra moral, tiro as mamas para fora".Sem desprimor para a actriz, o gesto é perfeito para comemorar o aniversário de Don Luis. Junto com os tambores de Calanda.
João Bénard da Costa


1 Comments:
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