Incendiar bibliotecas
Começou por incendiar florestas. E, de facto, incendiou muitíssimas. Depois, fartou-se e decidiu mudar de vida. Começou a incendiar bibliotecas. E, como se veio a verificar, incendiou um número verdadeiramente impressionante desses nobres e memoráveis lugares. De todas as coisas que tinha incendiado até então, nenhuma se lhes comparava.
Não é que as bibliotecas a arder fossem mais espectaculares do que as florestas, porque não eram. Mas dos livros desprendia-se um perfume, digamos, mais vibrante, um brilho, digamos, mais eiffelesco, um uuh-uuh, digamos, mais acrisolado. Os livros a arder faziam-no sentir vagamente triste. E era exactamente essa tristeza vaga que o enchia de felicidade.
Mas com o tempo, o interesse pelos livros esmoreceu. Acresce que dos anões, outrora tão comuns, não restava igualmente o mais leve vestígio.
E, de novo, Volkan Schettig mudou de inclinações incendiárias.
Não é que as bibliotecas a arder fossem mais espectaculares do que as florestas, porque não eram. Mas dos livros desprendia-se um perfume, digamos, mais vibrante, um brilho, digamos, mais eiffelesco, um uuh-uuh, digamos, mais acrisolado. Os livros a arder faziam-no sentir vagamente triste. E era exactamente essa tristeza vaga que o enchia de felicidade.
Mas com o tempo, o interesse pelos livros esmoreceu. Acresce que dos anões, outrora tão comuns, não restava igualmente o mais leve vestígio.
E, de novo, Volkan Schettig mudou de inclinações incendiárias.


1 Comments:
Fácil explicar a paixão pelas bibliotecas em detrimento das florestas. Um só livro - O Inferno de Dante - precisa de mais de um hectare de eucaliptos para chegar à livrarias numa ranhosa edição de não mais de mil exemplares.
ver por aí o que significa um livro
enquanto objeto combustível
abraço
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