Contam que Kosta Diakowski tinha o rosto coberto de sardas. E que essas sardas, no conjunto, formavam uma curiosa composição na qual se podiam observar, entre outros, pelicanos, gafanhotos, tartarugas, cynamolgos, argátylos, grandes caprimulgos, tynúnculos, crotenotários, onocrótalos, stymphálidos com as suas monstruosas patas, harpias, panteras, dórcades, cemades, sátiros, cartassónicos, mónopes, perphágios, bisontes, musicões e até ophirus de quatro tenazes.
Esta perspectiva, contudo, não resiste a um exame mais aprofundado. E o leitor a quem estas sardas fabulosas causassem desconfiança não tardaria a ser confirmado nas suas dúvidas. Porque Kosta não possuía qualquer sarda e, por consequência, não figuravam no seu rosto as ditas imagens.
Na verdade, Kosta Diakowski tinha o rosto coberto de sinais. E, observando com atenção, os sinais formavam um incrível e harmónico emaranhado de objectos e criaturas: goniómetros, bússolas, cogumelos, relógios sem corda, nuvens, uma escrivaninha inteiramente desmontável, que oferecia todo um sortido de gavetas e tabuinhas de puxar, um velho distribuidor de amendoins, isqueiros, máquinas de café, guarda-chuvas, ovos de passajar, naperões, um catavento, caixas de bolachas, grandes árvores, vibrafones, cavalos e anões amarelos.
Tudo muito bem. No entanto, os problemas começaram quando desapareceu da bochecha direita o distribuidor de amendoins. Os cavalos acusaram os anões amarelos do sumiço e estes devolveram a acusação aos cavalos, apontando também o dedo aos cogumelos. Entre denúncias, queixas e dichotes, mantiveram entre si, durante muito tempo, um festivo diálogo de surdos. E de todas as coisas que chamaram uns aos outros, a mais delicada foi “cevado”.
Kosta Diakowski, por seu lado, fumando longa e tranquilamente o seu cachimbo, abanava de vez em quando a cabeça – ora caía um cavalo, ora resvalava um anão amarelo –, sem dar atenção de maior ao caso.