As Bodas de Caná fazem-me lembrar certos planos de Jean Renoir. Não é só uma questão de distribuição dos elementos (et voilà, la mise-em-scène rampe à nouveau), nem apenas a lei da boa vizinhança, querida Mnemosyne — apesar de estarem ambas harmoniosamente implicadas. Tem a ver com a palavra "algazarra"; com o que é cor, som e ritmo em "algazarra". Veronese e Renoir têm um jeito apurado e doce para captar a desorganização interna dos movimentos colectivos. Esta atenção ao mundo — que é também um amor desmesurado ao mundo — transforma qualquer coisa em vida, toda a correria numa dança radiosa e sem moral.


0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home