sexta-feira, Março 20

O dedo mindinho

Era um caso estranho. Sempre que Janz Baun mexia o dedo mindinho da mão esquerda, qualquer coisa de terrível acontecia. Por exemplo, mexia o dedo mindinho e um candeeiro caía com estrondo do tecto. Outro exemplo: mexia o dedo mindinho e os vidros da janela iam pelos ares. Outro ainda: mexia o dedo e começava a trovejar.
Janz Baun acabou por se convencer que era Deus. Ou melhor, que Deus era o seu dedo mindinho. Ora, um belo dia, no auge da sua arrogância divina, Janz mexeu o dedo mindinho e o telhado caiu-lhe em cima.
Quando se lhe desanuviou a visão, resmungou:
- Ámen.
E afastou-se com os dentes cerrados, cabisbaixo e coçando o monstruoso galo que irrompera na sua cabeça.