João Cabral de Melo Neto sobre o verso livre
João Cabral em 1953:
Acho o verso livre uma aquisição fabulosa e que é bobagem qualquer tentativa de volta às formas preestabelecidas. Abrir mão das aquisições da poesia moderna seria para mim como banir a poesia do mundo moderno. Pois a verdade é que a realidade presente é rica demais para caber nessas formas hoje requintadas e artificiais das épocas de estabilidade cultural.
Isso não se aplica, é claro, às formas da poesia popular que usam a métrica e a rima com absoluta liberdade, sem transformá-las em condição essencial e ponto de partida da criação poética.
(Entrevista a Vinícius de Moraes, Manchete, Rio de Janeiro, 27 de Junho de 1953.)
João Cabral em 1988:
Uma das coisas fatais da poesia foi o verso livre. No tempo em que você tinha que metrificar e rimar, você tinha que trabalhar seu texto. Desde o momento em que existe o verso livre, todo o mundo acha de descrever a dor de corno dele corno se fosse um poema. No tempo da poesia metrificada e rimada, você tinha que trabalhar e tirava o inútil.
(Entrevista a Mário César Carvalho, Folha de S. Paulo, Folha Ilustrada, São Paulo, 24 de Maio de 1988.)
No blogue de António Cícero.
Acho o verso livre uma aquisição fabulosa e que é bobagem qualquer tentativa de volta às formas preestabelecidas. Abrir mão das aquisições da poesia moderna seria para mim como banir a poesia do mundo moderno. Pois a verdade é que a realidade presente é rica demais para caber nessas formas hoje requintadas e artificiais das épocas de estabilidade cultural.
Isso não se aplica, é claro, às formas da poesia popular que usam a métrica e a rima com absoluta liberdade, sem transformá-las em condição essencial e ponto de partida da criação poética.
(Entrevista a Vinícius de Moraes, Manchete, Rio de Janeiro, 27 de Junho de 1953.)
João Cabral em 1988:
Uma das coisas fatais da poesia foi o verso livre. No tempo em que você tinha que metrificar e rimar, você tinha que trabalhar seu texto. Desde o momento em que existe o verso livre, todo o mundo acha de descrever a dor de corno dele corno se fosse um poema. No tempo da poesia metrificada e rimada, você tinha que trabalhar e tirava o inútil.
(Entrevista a Mário César Carvalho, Folha de S. Paulo, Folha Ilustrada, São Paulo, 24 de Maio de 1988.)
No blogue de António Cícero.


3 Comments:
Se fores a ver bem, as duas declarações não são mutuamente exclusivas :)
Pois não.
De fato, as duas considerações são complementares, eu diria.
Específicamente no Brasil, esta segunda declaração é necessária pois o que diz João Cabral é a mais pura verdade. Aqui, abaixo do equador, o escrúpulo e a auto crítica não parecem existir ou são muito raras; tudo pode ser de qualquer forma ou jeito!
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