aquí el francés Bonpland botánico entró en las dulces partes de Nunu

Através da janela do metro, o vento nos campos de milho leva-me de imprevisto para o filme de Lisandro Alonso. "A Liberdade" começa de madrugada quando Misael se prepara para o trabalho.
Ele é um homem forte, mexe-se ali, nas Pampas, em perfeito acordo, uma familiaridade com a natureza rara, mas que que todavia existe para além do nosso mundo desenvolvido. Lisando capta isso de forma preciosa; a uma certa distância (enquadrar o corpo e os gestos largos do trabalho — os gestos do trabalho são iguais aos gestos do amor? voltamos ao mesmo). Vamos acompanhando Misael ao longo do dia — uma jornada, é isso o filme, apenas uma jornada (quanto mais preciso é o objecto mais estonteantes as descobertas — ah, se o cinema conseguir agir como um aprendiz de feiticeiro).
Misael passa a maior parte do tempo sozinho — se não me engano, em todo o filme há apenas três diálogos e uma conversa telefónica. Ao fim da tarde, depois de ter comprado gasolina, tabaco e uma fanta, ele regressa a pé para a barraca junto às árvores onde vive temporariamente. Atravessa um campo de milho (é um campo de milho?). Há uma altura em que a câmara deixa-o afastar-se mais no horizonte, esquece-se dele, creio, e de repente ela própria não se contém — é assim que sinto — e dirige-se para as nuvens. O que é bonito nesse movimento é a sua natureza, não pretende demonstrar nada, não interfere na imagem que vamos construindo do lenhador através da sua rotina, não foi premeditado. Parece um movimento involuntário da máquina, uma pequena distracção musical, o zumbido de um insecto.
O título, roubei-o a Juan Gelman e dedico-o ao senhor changuito que se interessa pela botãnica de maneira geral & particular.


1 Comments:
preclara e emérita dona C.,
gato pelo gesto, agradeço-o e declaro-me um verdadeiro animal em termos de ignorância botânica. é um dos doze mil assuntos que me interessam e em cujo o meu desconhecimento é na ordem dos valentins loureiros
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