Terça-feira, Junho 10

para a Lídia:

Posso contar-te uma coisa? Não sei se já tinhas reparado no elevador de Santa Justa, ali em baixo? É propriedade da companhia que gere os eléctricos de Lisboa. É um elevador que efectivamente não leva a lado algum. Põe as pessoas lá em cima para verem as vistas a partir da plataforma e depois trá-las novamente para baixo. É propriedade da companhia dos eléctricos. Então um filme pode fazer a mesma coisa, John. Põe-te lá em cima e traz-te depois para baixo, para o mesmo lugar. Esta é uma das razões por que as pessoas choram no cinema.


mais ou menos a meio da página 17 de "Aqui onde nos encontramos" de John Berger (que não escreve só ensaios), Civilização Editora, tradução de Isabel Leite da Silva

2 Comments:

Anonymous lídia said...

obrigada Cris :-)

excelente olhar esse face ao cinema

lembrei me da cena do 3º até ao 8º andar no filme a angústia do truffaut. na subida há uma troca de olhares entre um casal que demora muito tempo, irreal tempo. e na descida, real tempo,rápido, vê-se a parede do elevador, a passar de piso para pisso.

9:45 PM  
Anonymous Anónimo said...

Todavia, os melhores são aqueles, sem lagrimas, que nos deixam sempre no mesmo lugar, mesmo quando nos elevam ou nos põem lá em baixo, confirmando que este lugar, que todavia mal conhecemos, é sempre o nosso. [John]

11:03 AM  

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