Empédocles: Não vos deixo perplexos,
Meus amigos! E não temais! Os filhos da terra
Receiam quase sempre o que é novo e estranho,
Ficar em casa, fechado em si, apenas é próprio
Da vida das plantas e do animal satisfeito.
Limitados ao que possuem preocupam-se
Com a sua subsistência, e mais longe não chega
O sentido da sua vida. Porém, finalmente
Têm de sair, esses timoratos, e com a morte regressa
cada um ao seu elemento, para que nele
Reencontrem, como num banho, a frescura
De uma nova juventude. Aos homens foi dada
A grande alegria de se rejuvenescerem a si próprios.
E da morte purificadora, que
Para si escolheram no devido momento,
Ressurgem, como Aquiles da Estígia, os povos.
Oh, entregai-vos à Natureza, antes que ela vos tome! —
Há muito tempo tendes sede do invulgar,
E como de um corpo doente o espírito de Agrigento
Anseia sair do antigo eixo.
Portanto ousai! O que herdaste, o que conquistastes,
O que vos contou, ensinou, a boca paterna
As leis e os costumes, nomes dos antigos deuses,
Esquecei com ousadia, e erguei como renascidos,
Os olhos para a divina Natureza.
E então, quando o espírito se inflamar na luz
Do céu, e um doce sopro de vida vos
Embeber o peito, como pela primeira vez,
E, repletas de frutos de ouro, as florestas rumorejarem
E as nascentes que brotam das rochas, quando a vida do mundo
Se apoderar de vós, o espírito da paz, vos
Apaziguar a alma como uma sagrada canção de embalar,
E, então, quando do encanto do belo alvor
O verde da Terra de novo brilhar para vós
E a montanha e o mar e as nuvens e os astros,
As forças nobres, como irmãos heróis,
Aparecerem diante dos vossos olhos, de modo que o peito,
Como os escudeiros, palpitará de desejo de novos feitos
E de um mundo próprio, belo; então dai-vos as mãos
De novo, dai a palavra e dividi os bens,
Oh, então, meus caros — dividi a acção e a fama,
Como leais Dióscuros; seja cada um
Como todos os outros, — como sobre elegantes colunas descanse
A nova vida sobre regras justas
E que a vossa união reforce a lei.
Então, ó génios da Natureza
Mutável! A vós, alegres,
Que trazeis das profundezas e das alturas a alegria
E a levais para junto do coração dos mortais mais limitados,
Partindo de terras longínquas e estranhas,
Sob a forma de esforço e dita e sol e chuva,
A vós convida o livre povo para as suas festas,
Hospitaleiro, fervoroso, pois com amor dá
O mortal do que é melhor, se a escravidão não
Lhe cerrar e amesquinhar o peito —