quando não se passa nada

Mas há planos que parecem calculados, por exemplo aqueles contra-picados de Quixote contra o céu.
Sim, claro. A ideia era alternar a loucura, o misticismo, a transcendência, de Quixote, e momentos muito mais banais. Coisas quotidianas. Gostava muito desta alternância. E juntar as duas coisas no mesmo palco.
É o que faz naquele plano em que eles estão os dois a olhar para a lua...
Sim, absolutamente. E de resto, a regra era simples: filmar os momentos transcendentes como algo banal, e filmar os momentos banais como algo transcendente. Esse plano da lua foi filmado como se a qualquer momento alguma coisa importante fosse acontecer. É preciso ter em atenção que imaginei sempre Quixote e Sancho nos intervalos do livro, naqueles momentos que Cervantes não narrou porque nada se passava e nada havia a narrar.
Albert Serra entrevistado por Luís Miguel Oliveira (Ípsilon de 6 Abril)


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