Marco Ceccarini
Marco Ceccarini estava moribundo há vários dias. Deitado na sua velha cama de mogno, com a cabeça apoiada numa linda almofada de cetim azul, o doente olhava gravemente para cima. Eram os seus últimos momentos. Familiares e amigos íntimos, vergados sob o terrível fardo da dor, observavam-no com a mão sobre o peito e as lágrimas a correrem pela cara abaixo. Como conseguira aguentar até ali, ninguém era capaz de dizer. De facto, Dieu mesure le froid à la brebis tondue, ou seja, Deus resguarda do vento o gato tosquiado.
De qualquer maneira, a esperança, que costuma ser a última a morrer, há muito que se tinha posto a mexer para o “outro mundo”. E não era necessário um grande talento para adivinhar que não demoraria muito para Ceccarini seguir-lhe os passos. O seu coração iria ceder a qualquer momento. O moribundo parecia disposto a abandonar-se tranquilamente à sua triste sorte.
No último instante, a angústia transformou tudo num amplo espaço em branco.
Até que finalmente sucedeu aquilo que temíamos. Ceccarini levantou-se de um salto, agradeceu a todos, fez uma vénia quase até ao chão, e saiu do quarto a assobiar uma canção tão pouco digna que prefiro parar por aqui.
De qualquer maneira, a esperança, que costuma ser a última a morrer, há muito que se tinha posto a mexer para o “outro mundo”. E não era necessário um grande talento para adivinhar que não demoraria muito para Ceccarini seguir-lhe os passos. O seu coração iria ceder a qualquer momento. O moribundo parecia disposto a abandonar-se tranquilamente à sua triste sorte.
No último instante, a angústia transformou tudo num amplo espaço em branco.
Até que finalmente sucedeu aquilo que temíamos. Ceccarini levantou-se de um salto, agradeceu a todos, fez uma vénia quase até ao chão, e saiu do quarto a assobiar uma canção tão pouco digna que prefiro parar por aqui.


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