O desejo de se transformar num índio. Fechei os olhos mas ainda estou acordada quando surge na minha cabeça uma imagem muito nítida: quatro ou cinco homenzinhos iguais a Kafka (o mesmo rosto miúdo e triste), vestem sobretudos grossos e compridos, chapéus de coco na cabeça (como naquela fotografia ao lado do cão), abrem um buraco no chão com picaretas e pás. Reconheço a rua, é perto da casa da minha mãe. O buraco é largo e pouco profundo. Um deles senta-se num balde de lata virado ao contrário (com as pernas estendidas). De repente vê-me. Os outros páram o trabalho e também olham para mim. Esperam qualquer coisa. Depois a imagem desaparece e eu adormeço, creio.


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