Quarta-feira, Setembro 20

Cineasta para que se saiba que o seu cinematógrafo ameaça o cinema



Numa das seis bagatelas (cenas que ficaram fora de "Onde jaz o teu sorriso?" mas foram incluídas nos extras do belíssimo DVD editado pela Assírio & Alvim), Straub conta que quando começa a filmar nunca diz "acção", nem "motor", diz apenas "bitte", que significa "façam o favor". E no fim, espera que tudo aquilo respire, vê o que acontece, se o actor se vai abaixo logo a seguir ou se aguenta ainda um pouco, e então diz "merci" ou "grazie" ou "danke". Ele agradece, nunca diz "cut" ou "coupée". Jean-Marie Straub é este tipo de homem.




...a revolução não é a fuga para a frente rumo ao progresso, é o salto do tigre para aquilo que é passado.




Acho que vivemos numa época de traição, mais nada.
Tenho noventa e sete anos, sou mais velho do que o Baudelaire quando dizia que tinha mil anos.
Sobrevivi num mundo em que a vida do artista ao ar livre era bastante difícil, sobretudo quando queria fazer o que dizia o Cocteau: «cultiva o que te censuram, és tu mesmo».

Jean-Marie Straub em "Onde jaz o teu sorriso?" de Pedro Costa