
Há muito tempo que
Serralves não oferecia uma exposição tão boa. É o que penso. "Anschool II", de Thomas Hirschhorn, é uma grande exposição. Simples e complexa, directa e exigente. Uma obra excepcional que funciona como um espelho: olhamos e somos nós que estamos expostos. Nós somos o que Hirschhorn mostra. Somos aqueles fios eléctricos, os pedaços de madeira, os vidros, as fotocópias, os jornais, as revistas, os anúncios publicitários, os manequins com cancros de plástico, os camuflados. As nossas escolas são assim, as nossas casas são assim, as nossas cidades são aquelas. A nossa vida é uma cópia daquele estranho labirinto que Hirschhorn montou em Serralves, com paredes de cartão e fita adesiva. Este é o nosso mundo. E a própria arte de Hirschhorn não está fora dele. Um mundo em guerra aberta com tudo e com todos os que se lhe opõem. Uma guerra em que todos estamos envolvidos. Porque é assim que queremos viver.
Eu sei. Tudo isto não passa de uma série de lugares comuns. Mas é justamente isso que a exposição mostra: o imenso lugar comum em que vivemos e queremos continuar a viver. Por isso, esta exposição não vai mudar nada. E, no entanto, muda alguma coisa. Excelente.
Outras leituras desta exposição no Bombyx Mori e Elsinore.