Sábado, Outubro 1

Lição de Pedra

Muitos, vindos do século 19
foram enterrados no século 20.
Outros
já atravessamos a soleira do 21
mas morreremos antes
que o século chegue ao meio e ao fim.

Alguns, é claro, planejam ir mais longe
e para tanto se exercitam
tomam vitaminas
contando com sorte postergar a morte.

As pedras ouvem esses projectos.
Elas não almejam isto.
Não almejam
e no entanto
- conseguirão.

Affonso Romano de Sant'Anna

Sexta-feira, Setembro 30

J'adore répondre. Je réponds même quand on ne me demande rien.



"Je ne vous aime pas", peça de Marcel Achard, escrita em 1926.

mais olhos que barriga:

Eu quero ISTO!

classificados COTOVIA

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oferece-se:
A Biblioteca Almeida Garrett já tem disponíveis para empréstimo (na estante de novidades, logo à entrada) os primeiros volumes do Curso Breve de Literatura Brasileira editados pela COTOVIA. No sábado requisitei a antologia de contos de Machado de Assis "Um homem célebre" e logo à terceira história decidi substituir todos os tempos de antenas, telejornais, debates, crónicas e produtos similares onde aparece o homo politicus pela "Teoria do Medalhão - um diálogo". Não é preciso mais nada para compreender quase tudo. Guardadas as proporções, (...) vale o "Príncipe" de Machiavelli. Vamos dormir.

precisa-se:
Só me falta ler um livro (dos traduzidos para português, entenda-se) de Thomas Bernhard: "Minetti seguido de No Alvo", editado pela Cotovia. Distraí-me, deixei andar e agora dei com o livro esgotado (reparem bem: é um livro de teatro! a tristeza mistura-se com o júbilo). Se alguém souber onde posso encontrar um exemplar esquecido, amarelo, mesmo com uma ou outra páginas dobrada, agradeço muito.
deixa-me contar-te uma história sobre cadernos de notas

Há um tipo, não, não é correcto charmar-lhe tipo, é um rapaz ainda, embora, agora que penso nisso, não consigo adivinhar quantos anos tem, faz parte de um certo género de pessoas que não envelhecem, creio que daqui a dez anos manterá o seu ar decidido e ao mesmo tempo assolapado, tenho uma teoria sobre isso mas não vem ao caso. Bom, voltando ao rapaz; ele é uma especie de Walser, de aprendiz de Walser digamos, pelo menos assim o imagino, um Walser só substantivo, logo menor. Não descobri nos seus gestos a delicadeza do escritor e os olhos, escondidos por trás dos óculos, nunca os vi. Vive para os meus lados; anda com um saco muito cheio, a tiracolo e uma agenda enorme nas mãos onde anota sabe-se lá o quê. Já o encontrei de manhã, por volta das nove horas, em frente à tabacaria. Deduzi que copiava os títulos dos jornais e nota bem o que digo, copiava. É o que ele é? Um copista que passeia? Mas ele nem sequer passeia, percebe-se que tem um rumo, mesmo que seja labiríntico. Move-se em passo rápido, às vezes apanha o autocarro, a linha número setenta e oito. Lá dentro, coloca-se estrategicamente a meio, encosta-se a uma das barras, e continua a rabiscar. O que é que ele está a catalogar com tanto afinco? É uma incógnita. Serão palavras ou números? Espreito para os papéis mas só vejo uma mancha indecifrável. Olhando para o seu rosto sério e concentrado dir-se-ia que cumpre uma missão. Ao escrever, também ele se ele ausenta? Para onde? Um dia passou-me pela cabeça segui-lo e roubar-lhe a agenda mas não consigo arranjar coragem e depois, ele sem a agenda, é o quê? Há dias em que tenho pena do rapaz e outros em que o invejo. O caso continua em aberto.

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Quinta-feira, Setembro 29

Vox

A importância da voz própria num escritor é uma história para meninos.
Basta escutar a voz pavorosa do Pound.

Salón literario

Siempre había deseado tener un salón literario y por eso en cuanto recebió la cuantiosa herencia de su tío, decidió abrir esa sucursal del Olimpo con licores y sandwichs.
El estafador se prestó a asesorarle y lo primero de que le convenció es de que para tener en salón literario había que gastar un dinero previo en resucitar grandes hombres.
Le hizo un presupuesto.
Por resucitar a Balzac, 20.000; por resucitar a Victor Hugo, 18.200; por resucitar a Anatole France, 12.500; por resucitar a Blasco Ibánez, 5.200; por resucitar a Carrere, que no ha muerto, 1.150. Total, 56.600.
Se hicieron estos gastos preliminares, se preparó el salón con espejos dorados y arañas y el ía de la recepción fueron llegando — preparados por el estafador — sensacionales y falsos hombres de letras, apócrifos senadores, supuestos notarios.
Total, que a las dos de la madrugada de la primera sesión de salón literario los falaces resucitados, y los vivos de siempre, habían consumido el salón literario, sus bebidas, sus consolas, sus espejos, sus relojes, sus candelabros, sus álbumes y hasta sus ceniceros.

Ramón Gómez de la Serna, "Caprichos", Editorial Optima, Barcelona [para o Rui, por supuesto]

duérmete, duérmete

Vou vendo os filmes que quero ver um bocado ao acaso, conforme me lembro, conforme os encontro; sem qualquer ordem cronológica. Só assim se explica que ontem tenha descoberto a influência nítida de Andrei Tarkovski em duas ou três cenas de Los Olvidados de Luis Buñuel. A ilusão durou apenas alguns segundos; é precisamente ao contrário, dei-me conta, é do sonho de Pedro ou do leite com que Meche se lava, que vêm certas imagens de Tarkovski.
A relação é assumida: em "Esculpir o Tempo" (na página 57 da 1ª edição da Martins Fontes de Agosto de 1990) o realizador russo, para além de enaltecer as qualidades éticas e estéticas de Luis Buñuel, confirma que é um dos cineastas de quem se sente mais próximo.
Se voltarmos a inverter a questão temporal — e não é o cinema a arte que melhor (des)encadeia o tempo? — encontramos Buñuel em 1982, em conversa com Tomás Perez Turrent e José de la Colina:
— (...) Teria gostado de ver cair um raio sobre o pedaço de carne que a mãe oferece e que chovesse dentro do quarto, mas era muito difícil de conseguir, não tinhamos meios técnicos. Atraía-me muito usar o ralenti, a câmara lenta. Também há câmara lenta na imagem do cão que avança pela rua, quando El Jaibo morre. Sempre gostei do ralenti, porque dá uma dimensão inesperada, mesmo ao gesto mais banal, que não percebemos à velocidade normal.

A chuva que Buñuel não pôde filmar encontra-se em vários filmes de Tarkovski, e esse movimento mais lento em "O Espelho". Isto podia continuar por aí fora, até chegar a deus/Deus.

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Deus já despediu o canalizador. A seguir somos nós

Todos os dias, ao chegar ao escritório, um tipo pendurado num cartaz pergunta-me se estou interessado em "mudar Mafamude". Eu já tentei explicar ao tipo que devia perguntar antes se estou interessado em "mudar de Mafamude". Mas ele não me ouve. É um político a sério.

Happy hour

Eu acredito no valor social das crónicas do Eduardo Prado Coelho. Têm um lado subversivo que me agrada muito. Quero dizer, é das poucas leituras capazes de pôr alguém a rir a bandeiras despregadas num carrancudo autocarro a abarrotar de gente e em plena hora de ponta.

Quarta-feira, Setembro 28

Pergunta, resposta

"O senhor já ganhou quase todos os prêmios literários possíveis e agora seus livros estarão junto com os clássicos na coleção Library of America. O que isso significa para o senhor?

PHILIP ROTH: É melhor do que ser atropelado por um caminhão, não acha?"

Entrevista de Philip Roth, no Prosa & Verso desta semana.

Quando o carteiro é o meu projeccionista

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Los Olvidados, de Luis Buñuel

Caligrafia

Felizmente, o meu talento para a literatura não tem livro de reclamações.

A mania das novelas

"Contarei a V. M. ua cousa que a meu pesar me lembra. Caminhava por Espanha e, entrando em ua pousada bem cheo de neve, não houve algum remédio para que a hóspeda ou suas filhas, que eram duas, me quisessem abrir um aposento em que recolher-me. E quanto eu mais apertava me desenganavam melhor de que nenhua se levantaria donde estava sem acabar de ouvir ler certa novela, cuja história ia muito gostosa e enredada. E tal era a sofreguidão com que ouviam que nem ameaçando-as com que iria a outra pousada quiseram desistir de seu exercício, antes me convidavam que ouvisse os lindos requebros que Cardénio estava dizendo a Estefânia, que tudo isto rezava a boa novela. Enfim, eu me fui apear a outra parte e, voltando em breve tempo por aquele lugar, e perguntando pela curiosa leitora e ouvintes, me disseram que muito poucos dias despois as novelas foram tanto adiante que cada ua das filhas de aquela estalajadeira fizera sua novela fugindo com seu mancebo do lugar, como boas aprendizes da doutrina que tão bem estudaram."

D. Francisco Manuel de Melo.

They live!

A notícia do dia, via Linha dos Nodos.

Inferno, segundo acto

Na Terra. Adão e Eva debaixo da árvore da ciência. Lúcifer disfarçado de serpente

EVA: Eu nunca tinha reparado nesta árvore.

ADÃO: Proibiram-nos esta árvore.

EVA: Quem tal disse?

ADÃO: Deus.

LÚCIFER, entrando: Qual Deus, se há tantos?

ADÃO: Quem és?

LÚCIFER: Eu, Lúcifer, o Portaluz que deseja a vossa felicidade e sofre as vossas penas. Olhai para a nova estrela da manhã que anuncia o regresso do sol! É o meu astro, com um espelho por cima que reflete a luz da Verdade. Na plenitude dos tempos hão-de os seus raios guiar certos pastores de um determinado deserto até à manjedoura onde nascerá o meu filho, redentor do mundo.
Quanto a esta árvore, se lhe comerdes o fruto ficareis conscientes do bem e do mal. Sabereis, então, como a vida é um mal e vós não sois deuses; como o Maligno vos cegou e a vossa existência só serve ao riso dos deuses. Comei e tereis o dom da libertação das dores, a alegria da morte!

EVA: Quero saber e libertar-me! Come também, Adão!

COMEM AMBOS O FRUTO PROIBIDO.


August Strindberg, tradução de Aníbal Fernandes, Assírio & Alvim, 1988
(representado no filme "Le bassin de John Wayne" de João César Monteiro)

Terça-feira, Setembro 27

O Amor da Romã
Disseram-me que talvez tenha sido uma romã, talvez Eva tenha seduzido Adão com uma romã.

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Se em vez de um blogue

isto fosse o paraíso, o verdadeiro quero eu dizer, o Jardim do Éden; se em vez de Willie e Winnie nós representassemos Adão e Eva, os primeiros; então não tenho dúvidas nenhumas, queriamos ser o Adão e Eva de Mark Twain. Seguir a bíblia, pecar, tudo fariamos para salvar a humanidade do tédio e da vida eterna. Não dias felizes mas dias esplendorosos, três para exemplo:
SÁBADO
O novo ser come demasiada fruta. O mais provável é que nos vá fazer falta. NÓS de novo! Essa palavra era do ser... é também minha, agora, de a ouvir tantas vezes. Muito nevoeiro esta manhã. Eu não saio para o nevoeiro. O novo ser sai. Sai com todo o tipo de tempo e regressa com os pés enlameados. E fala. Costumava ser tão prazenteiro e sossegado por aqui...

DOMINGO
Aguentei-me. este dia está a ser cada vez mais desgastante. Tinha sido seleccionado e posto de parte em Novembro passado como dia de descanso. Esta manhã fui dar com o novo ser a tentar deitar ao chão maçãs daquela nova árvore proibida.

SEGUNDA-FEIRA
O novo ser diz que se chama Eva. Tudo bem. Não tenho objecções. Diz que é para o chamar quando queira que ele venha. Eu disse que, nesse caso, era supérfluo. esta palavra fez-me subir na sua consideração e é, de facto, uma longa e boa palavra capaz de suportar a repetição. O novo ser diz que não é um ser, mas uma Ela. Dúvido, mas tanto me faz. O que Ela seja não me faria diferença se Ela se metesse na sua vida e não falasse.


Mark Twain, "Excertos dos diários de Adão e Eva", tradução de Hugo Freitas Xavier, cavalo de ferro, Fevereiro de 2004

Encontrei pessoas

Encontrei pessoas que,
quando se lhes perguntava o nome,
tímidas — como se não pudessem exigir
o direito a ter também um nome —
respondiam «Fraulein Christian» e depois
«como o nome próprio», queriam simplificar
a apreensão das coisas,
nenhum nome mais difícil do que «Popiol» ou «Barbadaterra» —
«como o nome próprio» — por favor, não sobrecarregue as forças da Memória!

Encontrei pessoas que
cresceram num quarto com pais e quatro irmãos,
e à noite, os dedos nos ouvidos,
aprenderam no fogão da cozinha
cresceram, lindas por fora e ladylike como condessas —
e por dentro suaves e aplicadas como Nausica,
e tinham a fronte pura dos anjos.

Muitas vezes me perguntei, sem nunca achar resposta,
de onde vêm a doçura e a bondade,
e hoje inda o não sei e tenho de ir-me embora agora.


Gottfried Benn, "50 Poemas", tradução de Vasco Graça Moura, Relógio d'Água, Janeiro de 1998

maçãs macias

Na mercearia onde costumo comprar fruta, os letreiros exibem, junto ao preço, uma breve descrição. Resume-se a duas ou três palavras que explicam a proveniência, o tipo ou uma característica. Assim: as bananas são da madeira; os figos pingo de mel; as laranjas sumarentas; os morangos doces; os pêssegos maduros; e por aí fora. Ontem, enquanto escolhia uvas, vi pela primeira vez um caixote cheio de maçãs macias. Isso mesmo, maçãs macias.

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Paul Cézanne, "Maçãs, pêssegos, peras e uvas"

Segunda-feira, Setembro 26

demagogia (work in progress)

... adaptar; alargar; ampliar; apoiar; celebrar; concluir; concretizar; consolidar; construir; criar; defender; definir; descentralizar; dinamizar; elaborar; fomentar; fortalecer; implementar; instalar; intensificar; lançar; modernizar; organizar; projectar; promover; prosseguir; realizar; reestruturar; reforçar; reinstalar; sensibilizar; traçar; valorizar;...

III

No bosque há uma ave, seu canto imobiliza-vos e faz-vos subir o rubor às faces.

Há um relógio que não dá horas.

Há uma ravina com um ninho de bichos brancos.

Há uma catedral que decresce e um lago que se evapora.

Há um carrito abandonado na mata debastada ou que, enfeitado, desce a correr pelo carreiro.

Há um bando de humildes comediantes mascarados que se vislumbram na estrada através da orla do bosque.

Há, enfim, quando se está com fome ou sede, quem vos enxote.


excerto de Infância (Iluminações) de Arthur Rimbaud, tradução de Maria Gabriela Llansol,
"O Rapaz raro (iluminações e poemas), Relógio d'Água, Maio de 1998

O céu sobre Tombstone

Fico sempre admirada quando de certos filmes a preto e branco recordo as cores. Poder-se-ia dizer que é um erro da memória ou então um milagre dos cineastas mas não, não é nada disso, em "My darling Clementine", em mais de um plano, confirmei ontem, o céu é mesmo azul.

Uma colecção de histórias / Uma galeria de retratos

...os filmes suceder-se-ão como colecções de histórias (as dos desenhos de Jaime e as do sagaz Nasredin) e galeria de retratos (a dos meninos pobres e as dos pobres meninos ricos). Em todos estes filmes perpassa a ideia de que se pode crescer na margem como as plantas crescem a sombra. (Associação Os Filhos de Lumière)

9 OUT Jaime de António Reis + Outros bairros de Inês Gonçalves, Kiluanje Liberdade, Vasco Pimentel 30 OUT Les faits et dits de Nasredin (4 episódios) de Pierre-Marie Goulet + Um rei em Nova Iorque Charles Chaplin 13 NOV Les faits et dits de Nasredin (4 episódios) de Pierre-Marie Goulet + O quarto mandamento de Orson Welles 4 DEZ West side story de Robert Wise

Domingos | 16h00 | Auditório Serralves | Entrada gratuita

Domingo, Setembro 25

Jean-Marie Straub e Danièle Huillet

Straub: O nosso método, onde é que o descobrimos? Não sei. Talvez em Hitchcock, digamos entre Bresson e Hitchcock...
Só conheço dois filmes de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet: a curta-metragem En rachâchant* e o belíssimo "Sicília!". Nos últimos tempos, porém, tudo me leva até estes cineastas inacessíveis. Primeiro foi o documentário de Pedro Costa "Onde jaz o teu sorriso?", tão dedicado e cativante; depois o polémico texto de João César Monteiro (artigo publicado na revista Cinéfilo e reproduzido em Morituti te Salutant); e por fim o catálogo da Cinemateca, encontrado por acaso na Biblioteca Almeida Garrett.
São filmes raros e também, creio, num certo sentido, difíceis. Exigem de nós os olhos abertos e a alma disponível. Segundo o catálogo da Cinemateca (que data de 1998), para além dos dois que referi (projectados nas salas de cinema da Medeia) apenas "Crónica de Anna Magdalena Bach" estreou comecialmente (no Quarteto a 28 de Janeiro de 1977) e foi exibido na televisão.
Pode-se gostar do que não se conhece? Aposto que sim, muito. Mas como é que se faz para encontrar o que já nos cativou? Para onde é que avanço? Nova Iorque, diz a Lídia. Nova Iorque? Nova Iorque!

_______
* adaptação de um texto de Marguerite Duras (filmado por ela uns anos mais tarde em formato longo com o nome de "Les enfants")

Uma pastorela para a manhã de domingo

Unha pastor ben talhada
Cuidava en seu amigo
E estava bem vos digo
Per quant'eu vi, mui cuidada.

Ela trazia na mão
Um papagai mui fremoso,
Cantando mui saboroso,
Ca entrava o verão...

E diss: «Ai! Santa Maria!
Que será de mim agora?»
E o papagai dizia:
«Bem, per quant'eu sei, Senhora».

Dom Dinis.