Pancadinhas no borato de sódio #7

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— Miguel? Preciso de falar contigo. Não, ao telefone não. No café. Daqui a meia hora. [>]
Imagem: Mario Algaze, Club La Paz, Bolivia, 1989. Sugerida por Lídia Pereira | Texto: C.
wir sind zwei (manchmal drei): Rui Manuel Amaral e c (À l‘ombre de l‘ombre)
// expediente geral, emergências & outros assuntos linguísticos

«E nisto reparou — como se fosse a primeira vez — como o céu era alto.
Foi como um sobressalto. Mesmo por cima dele brilhava no azul uma pequena abertura incrivelmente funda entre as nuvens.
Sentiu que tinha de ser possível subir até lá com uma escada comprida, muito comprida. Mas quanto mais ele aí penetrava, subindo com o olhar, tanto mais o fundo azul brilhante se retirava. E no entanto parecia que era possível alcançá-lo e fazê-lo parar com o olhar. Este desejo tornou-se torturantemente intenso.
Era como se a visão, extremamente tensa, disparasse olhares como flechas por entre as nuvens, e como se ela, por mais longe que apontasse, falhasse sempre por pouco o alvo.»
«Há qualquer coisa de obscuro em mim, sob os pensamentos, e que eu não posso avaliar com o pensamento, uma vida que não se deixa traduzir em palavras e que, apesar disso, é a minha vida...»





— Não lhe parece que o seu filme possa constituir uma mudança na vida do documentarismo português?
— Não faço ideia. Acabei o filme em Dezembro e de então para cá tenho feito publicidade e comprado camisolas de gola alta. Não se muda nada a comprar camisolas de gola alta. Nem sequer o carácter.
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— Que critério adopta na selecção dos textos escolhidos para o filme?
— Escolhi o final de "A Menina do Mar" porque gosto de ouvir ler contos infantis e porque desconfio que aquele bocadinho dá prazer aos meus amigos milaneses.
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