Terça-feira, Julho 19

fui ao mar buscar laranjas

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O título é de Pedro Silveira; o mar é de Gerhard Richter; volto em Setembro, com as laranjas.




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p.s. já me esquecia das recomendações sonoras: O Verão, por conta do Francisco,
AQUI
Após um tempo, nadar embriaga um pouco. A respiração, o ritmo, os movimentos repetidos são a relojoaria de um tempo alheio ao pulso de quem se encontra no seco. O nadador sabe, a cada minuto, que depende de uma disciplina para não ir ao fundo. Com o tempo, isso não assusta mais, não peocupa tanto. Com o tempo, a disciplina fabrica um torpor agradável, destila um sentimento egoísta de liberdade, uma sensação que se mostra tão coerente, tão merecida que, na hora, nem sei se algum outro tipo de liberdade poderia mesmo existir.

Rubens Figueiredo, "Barco a seco", Cotovia, 2001, página 10

Segunda-feira, Julho 18

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— Não. Vamos viajar.
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— Vamos brincar aos legos?

Domingo, Julho 17

The film you have just seen was an improvisation

— E o Cassavetes?
— Vai ter que esperar. Hoje é dia de ir buscar as passagens.

Incondicional

Um dia cruzei-me com Jim Jarmusch. Acontecimento discreto numa rua da Figueira da Foz: eu com quinze insignificantes anos e ele com aquele cabelo hirto. Desde então gosto dos seus filmes, mesmo quando não são tão bons assim. E tudo começou como deveria sempre começar: Permanent vacation, Stranger Than Paradise...

Um dia ideal para o peixe-banana

Seymour ofereceu um livro alemão a Muriel, de poemas, escritos pelo único grande poeta do século. Mais tarde, naquele hotel na Florida perguntou-lhe pelo livro, queria saber se ela o tinha lido. Disse que ela devia ter comprado uma tradução ou aprendido alemão.

Isso ficou a remoer cá por dentro e hoje de manhã, quando descia a rua Pero de Alenquer percebi que no fundo ele, Seymour, sem saber, estava a falar comigo. Não bastam palavras de amor, é preciso chegar aos gestos. Vou aprender alemão, nem mais nem menos.