Sábado, Abril 2
Emparedada entre Thomas Bernhard e Nick Cave, numa tarde tristonha de sábado, acabei, para desanuviar, a fazer um daqueles testes tipo: descobre que música é que tu és. Depois de responder a mais de cem perguntas minuciosas que pareciam um inquérito policial e apesar de ter mentido em duas ou três respostas (na verdade, queria ser uma canção perdida de Tom Waits), o resultado é inevitável: Sorry (Tom Waits isn't available in this kind of tests), you are a true B-side.
O comboio do esquecimento
(Homenagem a Max Ophüls)
Eu que fui quase uma raínha, sim, fui uma raínha!,
e tive a Baviera e o seu rei a meus pés.
Eu, a condessa de Lansfeld, Lola Montes para outros,
por que Franz Liszt havia sonhado no seu piano,
como haviam sonhado tantos e esse sonho os redime,
avanço agora, será verdade que avanço?, neste comboio,
por paragens inóspitas, lamaçais e pó.
Não soam aos meus ouvidos os violinos de Munique,
nem os pássaros do entardecer nas folhagens romanas,
apenas portas que rangem, vidros que estremecem
e as pesadas rodas que fustigam o metal.
Chegaremos a um povoado — todos são iguais —
sujidade e ruído, bêbados e bastardos
são a essência e o símbolo desta nova fronteira.
Mineiros e camponeses, pistoleiros e jogadores de profissão
beijarão as minhas mãos, hão-de querer tocar-me,
por um mínimo preço, aproximar-se dos deuses.
Neste comboio de madeira e miséria
que vem do nada e para nenhum lado vai,
entre campos monótonos e aldeias de barracas,
eu, Lola Montes, condessa de Lansfeld,
ensaio a única expressão que aprendi da vida:
um ricto de desprezo e uns olhos sem tempo,
que se perdem na noite, no comboio do esquecimento.
Juan Luis Panero, "Poemas", tradução de Joaquim Manuel Magalhães, Relógio d'Água, Julho de 2003
Eu que fui quase uma raínha, sim, fui uma raínha!,
e tive a Baviera e o seu rei a meus pés.
Eu, a condessa de Lansfeld, Lola Montes para outros,
por que Franz Liszt havia sonhado no seu piano,
como haviam sonhado tantos e esse sonho os redime,
avanço agora, será verdade que avanço?, neste comboio,
por paragens inóspitas, lamaçais e pó.
Não soam aos meus ouvidos os violinos de Munique,
nem os pássaros do entardecer nas folhagens romanas,
apenas portas que rangem, vidros que estremecem
e as pesadas rodas que fustigam o metal.
Chegaremos a um povoado — todos são iguais —
sujidade e ruído, bêbados e bastardos
são a essência e o símbolo desta nova fronteira.
Mineiros e camponeses, pistoleiros e jogadores de profissão
beijarão as minhas mãos, hão-de querer tocar-me,
por um mínimo preço, aproximar-se dos deuses.
Neste comboio de madeira e miséria
que vem do nada e para nenhum lado vai,
entre campos monótonos e aldeias de barracas,
eu, Lola Montes, condessa de Lansfeld,
ensaio a única expressão que aprendi da vida:
um ricto de desprezo e uns olhos sem tempo,
que se perdem na noite, no comboio do esquecimento.
Juan Luis Panero, "Poemas", tradução de Joaquim Manuel Magalhães, Relógio d'Água, Julho de 2003
Sexta-feira, Abril 1
Backward and Forward compatibility
Trouxe uma t-shirt e o carro. Às seis e meia saio sem olhar para trás, desço até Campanhã. Rua do Freixo, o rio à esquerda, as pontes, o túnel, o viaduto, Massarelos, Afurada, o anjo da Cantareira, o farol, Foz, Matosinhos. Sopa de peixe no Estrela do Mar e depois, com mapas e horários, delinear Agosto e os saltos entre as ilhas.
Não tinha intenções de comprar este livro, já tinha outros dois na mão, no entanto folheei-o e caí precisamente nesta página em que Assayas e Bergman falam de Schnitzler, da forma como gostam de Schnitzler. Eu sei que mal conheço Schnitzler mas não consegui resistir... trinta e seis peças?
— Vous connaissez Schnitzler?
Olivier Assayas: Il y a un de vos films dont vous ne parlez jamais et je suis sûr que vous allez dire que c'est très loin de vous et que vous en avez tout oublié, c'est "Rêves de femmes".
Ingmar Bergman: Oh oui, c'est très loin...
O. Assayas: Je trouve que les deux histoires sont très belles. C'est comme deux nouvelles de Schnitzler...
I. Bergman: Vous connaissez Schnitzler?
O. Assayas: J'aime Schnitzler, oui.
I. Bergman: Ses textes sont traduits en français?
O. Assayas: Oui, il y a eu beaucoup de choses traduites ces derniéres années...
I. Bergman: J'aime beaucoup Schnitzler. Quand il est au mieux, il est au même niveau que Tchékhov. Exactement au même niveau. Il y a beaucoup de similitudes entre eux...
O. Assayas: ... l'un et l'autre médecins...
I. Bergman: Oui, très solitaires... beaucoup de femmes autour d'eux sans qu'aucune soit trop proche... Et puis leur façon de construire leurs histoires de façon à ce qu'elles n'aient pas l'air d'être construites. Il y a eu un très beau film tiré de Liebelei, par Max Ophüls. La pièce est merveilleuse, mais le film est vraiment un chef-d'oeuvre.
O. Assayas: J'ai une préference pour ses pièces plus tardives...
I. Bergman: Savez-vous combien de pièces Schnitzler a écrites?
O.Assayas: Non. Quelques-unes...
I. Bergman: Trente-six. Autant que Shakespeare.
"Conversation avec Bergman", (conduzida e traduzida por) Olivier Assayas, Éditions de Ll'Étoile/Cahiers du cinéma, 1990
— Vous connaissez Schnitzler?
Olivier Assayas: Il y a un de vos films dont vous ne parlez jamais et je suis sûr que vous allez dire que c'est très loin de vous et que vous en avez tout oublié, c'est "Rêves de femmes".
Ingmar Bergman: Oh oui, c'est très loin...
O. Assayas: Je trouve que les deux histoires sont très belles. C'est comme deux nouvelles de Schnitzler...
I. Bergman: Vous connaissez Schnitzler?
O. Assayas: J'aime Schnitzler, oui.
I. Bergman: Ses textes sont traduits en français?
O. Assayas: Oui, il y a eu beaucoup de choses traduites ces derniéres années...
I. Bergman: J'aime beaucoup Schnitzler. Quand il est au mieux, il est au même niveau que Tchékhov. Exactement au même niveau. Il y a beaucoup de similitudes entre eux...
O. Assayas: ... l'un et l'autre médecins...
I. Bergman: Oui, très solitaires... beaucoup de femmes autour d'eux sans qu'aucune soit trop proche... Et puis leur façon de construire leurs histoires de façon à ce qu'elles n'aient pas l'air d'être construites. Il y a eu un très beau film tiré de Liebelei, par Max Ophüls. La pièce est merveilleuse, mais le film est vraiment un chef-d'oeuvre.
O. Assayas: J'ai une préference pour ses pièces plus tardives...
I. Bergman: Savez-vous combien de pièces Schnitzler a écrites?
O.Assayas: Non. Quelques-unes...
I. Bergman: Trente-six. Autant que Shakespeare.
"Conversation avec Bergman", (conduzida e traduzida por) Olivier Assayas, Éditions de Ll'Étoile/Cahiers du cinéma, 1990
strangers talk only about the weather #15

67. Armando, o metereologista, chama à sua missão o serviço enigmático.
René Char, "Fragmentos de Hypnos", tradução de Manuel Lucena
Revista Atlântico
Quinta-feira, Março 31
Poesia portanto, capitão Alexandre
Fotocopiei três páginas da Revista "Atlântico": quarenta, quarenta e um, e quarenta e dois. René Char, traduzido por Manuel Lucena. Infelizmente não as posso ir ler para o terraço. É pena, porque é isso que me apetece.
32. Homem sem defeitos é montanha sem precipícios. Não me interessa.
111. A luz foi-nos expulsa dos olhos. Temo-la escondida algures nos ossos [...]
147. Viremos nós a ser, mais tarde, parecidos com aquelas crateras onde os vulcões já não irrompem e onde a erva amarelece?
32. Homem sem defeitos é montanha sem precipícios. Não me interessa.
111. A luz foi-nos expulsa dos olhos. Temo-la escondida algures nos ossos [...]
147. Viremos nós a ser, mais tarde, parecidos com aquelas crateras onde os vulcões já não irrompem e onde a erva amarelece?
Uma OBRA-PRIMA
Ontem vi, pela terceira vez, "A Sombra do caçador" e, pela terceira vez, fiquei espantada e sem palavras.
Quarta-feira, Março 30
Pretérito perfeito (or: incurably romantic lyrics)
Depois do manifesto "By your side" das CocoRosie, "Cocktail Nubiles" dos Stranglers. A dona de casa e o super-homem, juntos e felizes para sempre. Amém.
Resenceamento obrigatório
No pequeno pátio da casa onde trabalho já floresceram as azáleas, entre o vermelho e o rosado, e também o jasmim, branco. Devagar, as folhas das glicínias e das buganvílias desenrolam-se. Mais adiante, na praça, vi as primeiras flores das cerejeiras, cor-de-rosa, e uma papoila, laranja.
Terça-feira, Março 29
Em "Extinção" há um magnífico retrato de Ingeborg Bachmann. Sobre isso falarei depois. Para já, volto a um dos meus poemas preferidos de Bachmann, para ler e ouvir em alemão (tradução de João Barrento, disponivel nos arquivos):
Hören Sie das Gedicht!
Es kommen härtere Tage.
Die auf Widerruf gestundete Zeit
wird sichtbar am Horizont.
Bald musst du den Schuh schnüren
und die Hunde zurückjagen in die Marschhöfe.
Denn die Eingeweide der Fische
sind kalt geworden im Wind.
Ärmlich brennt das Licht der Lupinen.
Dein Blick spurt im Nebel:
die auf Widerruf gestundete Zeit
wird sichtbar am Horizont.
Drüben versinkt dir die Geliebte im Sand,
er steigt um ihr wehendes Haar,
er fällt ihr ins Wort,
er befiehlt ihr zu schweigen,
er findet sie sterblich
und willig dem Abschied
nach jeder Umarmung.
Sieh dich nicht um.
Schnür deinen Schuh.
Jag die Hunde zurück.
Wirf die Fische ins Meer.
Lösch die Lupinen!
Es kommen härtere Tage.
Ingeborg Bachmann
mp3 disponibilizada no site de Arlindo Correia
Hören Sie das Gedicht!
Es kommen härtere Tage.
Die auf Widerruf gestundete Zeit
wird sichtbar am Horizont.
Bald musst du den Schuh schnüren
und die Hunde zurückjagen in die Marschhöfe.
Denn die Eingeweide der Fische
sind kalt geworden im Wind.
Ärmlich brennt das Licht der Lupinen.
Dein Blick spurt im Nebel:
die auf Widerruf gestundete Zeit
wird sichtbar am Horizont.
Drüben versinkt dir die Geliebte im Sand,
er steigt um ihr wehendes Haar,
er fällt ihr ins Wort,
er befiehlt ihr zu schweigen,
er findet sie sterblich
und willig dem Abschied
nach jeder Umarmung.
Sieh dich nicht um.
Schnür deinen Schuh.
Jag die Hunde zurück.
Wirf die Fische ins Meer.
Lösch die Lupinen!
Es kommen härtere Tage.
Ingeborg Bachmann
mp3 disponibilizada no site de Arlindo Correia
Andreas Gursky*

Hong Kong, Stock Exchange (Diptych) 1994
... "A concluir gostaria de acrescentar uma nota biográfica. Sou filho único e lembro-me muito bem do meu anseio infantil por protecção social. Não é de admirar, por isso, que tome constantemente as pessoas como tema do meu trabalho – pessoas que procuram, durante a sua existência, dar um sentido colectivo à vida.”
in Programa da Exposição (PDF)
_______
* Fotógrafo representado na exposição Distância e Proximidade
Dos 104 textos editados em 1997 pela University of Chicago Press há cinco disponíveis na net. Desses cinco, escolhi um. Podia ter escolhido qualquer outro:
Pisa and Venice
The mayors of Pisa and Venice had agreed to scandalize visitors to their cities, who had for centuries been equally charmed by Venice and Pisa, by secretly and overnight having the tower of Pisa moved to Venice and the campanile of Venice moved to Pisa and set up there. They could not, however, keep their plan a secret, and on the very night on which they were going to have the tower of Pisa moved to Venice and the campanile of Venice moved to Pisa they were committed to the lunatic asylum, the mayor of Pisa in the nature of things to the lunatic asylum in Venice and the mayor of Venice to the lunatic asylum in Pisa. The Italian authorities were able handle the affair in complete confidentiality.
Thomas Bernhard, "The Voice Imitator", tradução de Kenneth J.Thomas, edição da University of Chicago Press, © University of Chicago
Pisa and Venice
The mayors of Pisa and Venice had agreed to scandalize visitors to their cities, who had for centuries been equally charmed by Venice and Pisa, by secretly and overnight having the tower of Pisa moved to Venice and the campanile of Venice moved to Pisa and set up there. They could not, however, keep their plan a secret, and on the very night on which they were going to have the tower of Pisa moved to Venice and the campanile of Venice moved to Pisa they were committed to the lunatic asylum, the mayor of Pisa in the nature of things to the lunatic asylum in Venice and the mayor of Venice to the lunatic asylum in Pisa. The Italian authorities were able handle the affair in complete confidentiality.
Thomas Bernhard, "The Voice Imitator", tradução de Kenneth J.Thomas, edição da University of Chicago Press, © University of Chicago
Segunda-feira, Março 28
Simone Nieweg*

Rosenkohl, Grevenbroich, 2000
... Simone Nieweg situa o início do seu trabalho autónomo em 1986, quando enveredou pela fotografia a cores. A sua primeira série centrava-se na arquitectura anónima dos jardins: arrecadações para utensílios de jardinagem feitas pelas próprias pessoas, pavilhões e pombais. Por essa altura também fez fotografias de lojas comerciais e outras a preto-e-branco de paisagens urbanas, mas as mais impressionantes são as fotografias a cores das hortas, “onde as pessoas, libertas das ideias de planeamento urbano e paisagístico, usam simplesmente a terra que está à sua disposição para plantar hortaliças, criar coelhos ou pombos. Eu encontro os meus motivos nessas hortas extensas não planeadas e também junto de pequenos lavradores que não praticam uma agricultura intensiva.”
...
“Às vezes fascina-me fazer fotografias que parecem poder ter sido feitas há cem anos”, e também nestes casos Simone Nieweg prefere usar a cor, porque, ao contrário da fotografia a preto-e-branco, não cria uma forma de abstracção.
in Programa da Exposição (PDF)
_______
* Fotógrafa representada na exposição Distância e Proximidade
A única coisa que ainda tenho é a linguagem
A estação de Dutovlje de noite, antes da chegada do último comboio, com a velha mesa na sala de espera, mas esta entretanto sem o velho fogão; mulher jovem a cantar na noite, a partir da habitação da estação; um carro parado acende os faróis e deste modo torna visível a fachada; um ferroviário precipita-se de casa e maneja duas alavancas de agulhas; o comboio que entra apaga entretanto a sua grande luz superior; lâmpada da mesa no escritório da estação; momentos (p.21)
Os velhos da aldeia desceram, na quase escuridão, do outeiro, a carreira de tiro, entre eles mulheres. Tocavam baixo, como que a modo de ensaio, os instrumentos rústicos, mas só os imitavam com as vozes. Dirigiram-se como banda musical em crescendo da altura para a aldeia escura, a caminho da sua festa. Era um grupo solene, movido pela tristeza. Para cada um deles podia ser a última festa. (p. 28)
Ante-ontem no autocarro para a Gare de l'Est: a cara de uma mulher bonita, séria, jovem, numa loja da rua. Só depois notei que era o rosto de A., a cara da minha filha, num espelho de uma fachada lá fora, enquanto que ela estava sentada cá dentro no autocarro, logo a meu lado. (p.40)
Peter Handke, "De manhã à janela do rochedo (e outras horas locais 1982-1987)"
in "Novíssimas Histórias com tempo e Lugar (Prosa de Autores Austríacos (1970-2000), coordenação de Ludwig Scheidl, Minerva Editora, 2000
Os velhos da aldeia desceram, na quase escuridão, do outeiro, a carreira de tiro, entre eles mulheres. Tocavam baixo, como que a modo de ensaio, os instrumentos rústicos, mas só os imitavam com as vozes. Dirigiram-se como banda musical em crescendo da altura para a aldeia escura, a caminho da sua festa. Era um grupo solene, movido pela tristeza. Para cada um deles podia ser a última festa. (p. 28)
Ante-ontem no autocarro para a Gare de l'Est: a cara de uma mulher bonita, séria, jovem, numa loja da rua. Só depois notei que era o rosto de A., a cara da minha filha, num espelho de uma fachada lá fora, enquanto que ela estava sentada cá dentro no autocarro, logo a meu lado. (p.40)
Peter Handke, "De manhã à janela do rochedo (e outras horas locais 1982-1987)"
in "Novíssimas Histórias com tempo e Lugar (Prosa de Autores Austríacos (1970-2000), coordenação de Ludwig Scheidl, Minerva Editora, 2000
Domingo, Março 27
Acontecimentos (ou: comemorações negras)
O Actor entra numa representação de um conto, em que desempenha o papel do mago malvado. É metido numa pele de ovelha e nuns sapatos demasiado curtos que lhe apertam os pés. Todo o fato é tão desagradável, que se põe a suar, mas ninguém vê isso e, além do mais, o que mais gosta é de representar diante de crianças; pois são o público mais grato. As trezentas crianças assustam-se com a sua entrada, pois é o jovem par que tem a simpatia delas, que ele transforma em dois animais desiguais. O que teriam preferido era ver o jovem par, vestido de vestes coloridas, mais nada; mas então a peça não seria uma peça autêntica e pouco depois aborrecida; pois na representação de um conto faz parte, desde sempre, uma figura má, imprevisível, que procura destruir ou pelo menos troçar do bem e do previsível. Quando a cortina se abriu pela segunda vez, as crianças não puderam conter-se mais. Levantam-se das cadeiras e precipitam-se para o palco e é como se não corressem apenas trezentas, mas um múltiplo deste número e, embora o actor chore debaixo da máscara, lhes implore para pararem com os pontapés e a tareia que lhe dão com objectos duros, de metal, não se deixam influenciar e batem tanto tempo nele e pisam-no tanto tempo, até que ele não se mexe mais e as suas mãos pálidas e mutiladas entram no ar poeirento da teia. Quando os outros actores chegam apressados e verificam que o seu companheiro está morto, as crianças irrompem numa terrível gargalhada, que é tão grande que com ela perdem totalmente a razão.
Thomas Bernhard, "Acontecimentos", retirados de Ereignisse (editado em 1969 e reeditado em 1991)
in Novíssimas Histórias com tempo e Lugar (Prosa e Autores Austríacos (1970-2000), coordenação de Ludwig Scheidl, MinervaCoimbra, 2000
Thomas Bernhard, "Acontecimentos", retirados de Ereignisse (editado em 1969 e reeditado em 1991)
in Novíssimas Histórias com tempo e Lugar (Prosa e Autores Austríacos (1970-2000), coordenação de Ludwig Scheidl, MinervaCoimbra, 2000
Thomas Ruff*
Interior (5B) 1980, Interior (7B) 1980, Interior (2D) 1982
Thomas Ruff: Photography pretends to show reality. With your technique you have to go as near to reality as possible in order to imitate reality. And when you come so close then you recognize that, at the same time, it is not.
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* Fotógrafo representado na exposição Distância e Proximidade









