Desviei-me do caminho/sumário traçado no domingo passado mas não me esqueci das alíneas. Para continuar com a boa disposição nada melhor do que passar ao prémio que atribuí ao melhor livro comprado num quiosque:
Figuras, Figurantes e Figurões, de Luiz Pacheco.
Saiu com "O Independente" no final do ano; foi uma pechincha e já é uma relíquia.
O livro foi organizado pelo jornalista João Pedro George (que, entre outras coisas, também escreve na
esplanada). Da sua apresentação (muito sucinta e certeira) e em jeito de resumo, retiro este excerto:
«O grosso das crónicas deste livro, nunca antes reunidas provêm da revista angolana
Notícia (em 1965-71), de Manoel Vinhas, e do jornal
Diário Económico (em 1995-96), então dirigido por Nicolau Santos. A estes textos, ordenados por afinidade temática, juntei seis, entretanto incluídos em livro, por três razões: uns, porque clarificam particularmente bem o tipo de crítica que defendeu e praticou; outros, porque dão sequência a textos desta antologia; outros ainda – como as primeiríssimas referências críticas a
O Que Diz Molero, de Dinis Machado, e a
Levantado do Chão, de José Saramago, reunidas em
Textos de Guerrilha –, porque nos recordam o seu instinto para descobrir novos talentos literários, como aliás fizera antes, nos anos 50, com Herberto Helder ou Natália Correia na Contraponto. Finalmente, incluí um texto cómico, hilariante mesmo, sobre Vergílio Ferreira.»
Não conheço bem o Luiz Pacheco mas gostava de acrescentar, mesmo correndo o perigo de não adiantar nada de novo, que ele é um escritor formidável. Conhece bem as palavras, não aquelas viciadas, por exemplo da crítica literária que se vai praticando por aí, tipo:
território,
emergentes,
rugoso. Não, conhece as outras, as que as páginas dos jornais perderam, que os livros esquecem, e
tão bonitas e luminosas que elas são. Para além disso Luiz Pacheco tem genica, tem mau feitio e tem humor. Com certeza que um homem assim (num tempo de gente balofa) merece todo o nosso respeito e admiração. Pena ele não ler blogues, senão mandava-lhe uns beijos.
Mal possa (e já que ando em maré de balanços e prémios), deixo aqui “Um livro único”, sobre o melhor livro de 1970. Quanto ao Vergílio Ferreira, podem não acreditar mas Luiz Pacheco descobriu que ele tem
swing!