So You Want to Write a Fugue?
Leio-as à noite e depois, durante todo o dia, as palavras não me saiem da cabeça. Estou a falar de Bernhard, de "Extinção", das conversas, conversas? aquilo é quase um monólogo, não, é quase música. É música. Ora aí está: pensar em Bernhard como músico e não como escritor. No caminho para casa dou por mim a andar seguindo os padrões do passeio e a inventar classificações estranhas. Em vez de etiquetas, uma arquitectura. No átrio, alto, longo e frio como o de Wolfsegg: Murau, Gambetti, Bernhard, Wertheimer, Gould e até o pobre Austerlitz. [Não conheço nenhum átrio mais admirável do que este, dissera eu a Gambetti, é senhorial devido ao seu tamanho e à sua absoluta austeridade, nas paredes tem o mínimo ornamento, nenhum quadro, nada. As paredes são caiadas de branco e produzem no observador o efeito de qualquer coisa inexorável.] De um lado para o outro, ao longo dos trinta e quatro metros...
— Disse Gould?*
— So you want to write a fugue?
— Disse Gould?*
— So you want to write a fugue?


3 Comments:
Bravo!
este é o meu primeiro "take" no teu espaço. voltarei para conhecer melhor os cantos à casa. Um abraço. J.
muito engraçado, muito engraçado
p.s. não estava a pensar num convívio alargado. ;-)
carla
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